A Brigada Venceremos: Jovens Americanos que Cortaram Cana em Cuba para Ajudar Fidel Castro e Influenciar a Política nos EUA

A Brigada Venceremos: Jovens Americanos que Cortaram Cana em Cuba para Ajudar Fidel Castro e Influenciar a Política nos EUA

Resumo

A Brigada Venceremos: Como Jovens Americanos Foram Recrutados por Fidel Castro para Cortar Cana e Influenciar a Política nos EUA

Nos anos 70, Fidel Castro ambicionava uma colheita histórica de 10 milhões de toneladas de açúcar, mas enfrentava escassez de mão de obra. Surpreendentemente, a solução veio dos Estados Unidos, através de jovens universitários simpatizantes do comunismo.

Esses estudantes, pertencentes ao grupo Students for a Democratic Society (SDS), não apenas ofereceram trabalho voluntário, mas também financiaram suas próprias viagens a Cuba. Assim nasceu a Brigada Venceremos, um projeto que combinava turismo político, doutrinação e a formação de uma rede de influência.

O relatório “Cuba: A Capital do Comunismo do Século XXI”, divulgado em julho pelo Departamento de Estado americano, detalha a atuação da Brigada Venceremos como uma das mais perigosas iniciativas de infiltração ideológica promovidas por um governo estrangeiro nos EUA, com o projeto continuando a formar quadros políticos no país.

O Chamado Revolucionário e a Realidade da Brigada Venceremos

A meta de Fidel Castro para a safra de 1970 era ambiciosa, mas a falta de trabalhadores para a colheita de cana-de-açúcar levou a um convite inusitado: a colaboração de jovens americanos. O grupo radical Students for a Democratic Society (SDS), com contatos diretos com a burocracia cubana, abraçou a causa.

Em vez de apenas demonstrar apoio à distância, esses jovens optaram por investir seu próprio dinheiro para viajar a Cuba e auxiliar no trabalho de campo. Essa ação marcou o início da Brigada Venceremos, uma iniciativa multifacetada que incluía turismo político, recrutamento e a criação de uma rede de influência.

A primeira expedição da Brigada Venceremos enviou 216 americanos a Cuba, contornando as restrições de viagem impostas pelo governo dos EUA. Durante seis semanas, os voluntários não só trabalharam na colheita, mas também participaram de atividades de doutrinação promovidas pelo regime cubano, conforme aponta o relatório do Departamento de Estado americano.

A Influência Política e os Ex-Brigadistas no Poder

O relatório “Cuba: A Capital do Comunismo do Século XXI” destaca a continuidade e a influência da Brigada Venceremos. O projeto, que já contou com cerca de 10 mil participantes, continua a formar líderes políticos nos Estados Unidos. Um exemplo proeminente é Karen Bass, atual prefeita democrata de Los Angeles, que esteve perto de ser escolhida como vice de Joe Biden.

A Brigada Venceremos não se limitava ao trabalho braçal. A outra metade do programa era dedicada à formação política, com palestras sobre imperialismo, revolução internacional e os princípios da Revolução Cubana, seguindo diretrizes do Instituto Cubano de Amizade com os Povos. Essa formação ideológica moldou a trajetória de muitos participantes.

Karen Bass, aos 19 anos em 1973, participou da Brigada Venceremos, trabalhando na construção de casas. Seu antecessor na prefeitura de Los Angeles, Antonio Villaraigosa, também integrou o acampamento em sua juventude. A relação de Bass com Cuba, inclusive com elogios a Fidel Castro após sua morte, gerou controvérsia durante a seleção para vice-presidente em 2020.

De Voluntários a Figuras de Destaque na Política Americana

A lista de ex-brigadistas compilada pelo governo dos EUA revela a **penetração significativa do grupo em esferas de poder nos Estados Unidos**. Muitos migraram da militância juvenil para posições de destaque no Partido Democrata.

Exemplos incluem a sindicalista Karen Nussbaum, que se tornou diretora do Departamento de Mulheres no Ministério do Trabalho durante o governo Bill Clinton, e a antropóloga Johnnetta Cole, que atuou como reitora e quase foi Secretária de Educação. Leslie Cagan, militante socialista, liderou a campanha que elegeu David Dinkins prefeito de Nova York.

Outros ex-brigadistas seguiram carreiras acadêmicas ou jurídicas. O historiador Michael Kazin leciona na Universidade de Georgetown, enquanto Roxanne Dunbar-Ortiz é professora na Universidade Estadual da Califórnia. Michael Ratner presidiu o National Lawyers Guild, e Bernardine Dohrn, figura chave na organização, lecionou Direito na Northwestern University.

O Lado Violento e a Nova Roupage da Brigada

Nem todos os participantes da Brigada Venceremos seguiram caminhos pacíficos. A ativista Susan Rosenberg exemplifica o grupo que optou pela **luta armada**. Ela integrou a May 19th Communist Organization (M19CO), uma milícia terrorista que defendia ações extremas contra o governo americano.

Em 1984, Rosenberg foi presa por transportar um arsenal de armas e explosivos, sendo condenada a 58 anos de prisão. Ela foi libertada em 2001, após receber perdão presidencial no último dia do mandato de Bill Clinton. Atualmente, Rosenberg integra o conselho da ONG Thousand Currents, apoiadora do movimento Black Lives Matter.

A Brigada Venceremos se reinventou ao longo das décadas. Em 2025, realizou sua 53ª expedição, desta vez com uma versão “queer e trans”, buscando aproximar ativistas pela diversidade. O projeto recebe apoio do People’s Forum, ligado ao empresário Neville Roy Singham, conhecido por patrocinar organizações alinhadas ao Partido Comunista Chinês.

Sanções Americanas e o Futuro da Brigada

O turismo político promovido pela Brigada Venceremos pode estar com os dias contados. Em junho deste ano, os EUA sancionaram o Instituto Cubano de Amizade com os Povos e a Amistur, agência de viagens estatal, considerando-os braços da espionagem cubana.

O objetivo dessas sanções é **dificultar a logística das expedições e cortar uma fonte de recursos para o regime cubano**. Após quase seis décadas levando jovens americanos à ilha, a Brigada Venceremos enfrenta novos desafios, mostrando que até a “solidariedade revolucionária” depende de autorizações externas.

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