China testa míssil balístico nuclear de submarino: Escalada nuclear e preocupação global com a China

China testa míssil balístico nuclear de submarino: Escalada nuclear e preocupação global com a China

Resumo

China avança em poderio nuclear com teste de míssil de submarino, gerando preocupação ocidental

A China demonstrou uma capacidade nuclear cada vez mais sofisticada ao testar um míssil balístico intercontinental lançado de um submarino de propulsão nuclear no Oceano Pacífico Sul. Este evento eleva a preocupação do Ocidente e seus aliados sobre o rápido e opaco crescimento do arsenal nuclear chinês.

O teste de míssil é um marco significativo, pois comprova a capacidade de “tríade nuclear” da China, que engloba sistemas de lançamento baseados em terra, ar e mar. Essa diversificação é vista como um passo crucial para garantir a capacidade de “segunda resposta”, um conceito fundamental na doutrina nuclear.

A capacidade de “segunda resposta” significa que um país pode retaliar um ataque nuclear mesmo após ter sido atingido primeiro, garantindo assim a dissuasão. Conforme entrevista do coronel da reserva Marco Antonio de Freitas Coutinho à Gazeta do Povo, apenas EUA e Rússia possuem essa capacidade em sua plenitude atualmente, com Reino Unido e França a tendo de forma muito limitada. A China, ao alcançar este patamar, torna-se um ator nuclear de peso considerável.

Avanço estratégico e ameaças a Taiwan

O desenvolvimento nuclear chinês ocorre em um contexto de crescentes tensões, especialmente com a intensificação das ameaças de Pequim em relação a Taiwan. A ilha, considerada pela China como uma província rebelde, tem recebido apoio dos Estados Unidos, o que tem gerado alertas por parte do governo chinês.

Um relatório do think tank americano Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS) destacou que a China revelou capacidades nucleares em 2023 capazes de atingir todo o território continental dos Estados Unidos. O documento apontou um aumento significativo no número de armas nucleares chinesas, saltando de 300 para 600 entre 2020 e 2025.

O Departamento da Guerra dos EUA estima que a China poderá possuir mais de mil armas nucleares até 2030. O CSIS alertou que a diversificação e o aumento do arsenal chinês transformam sua capacidade de dissuasão em algo “robusto e diversificado”, representando um risco para o território continental americano.

Submarinos nucleares: A espinha dorsal da “segunda resposta”

A base para a capacidade de “segunda resposta” reside na existência de uma frota de submarinos nucleares eficazes. O especialista Marco Antonio de Freitas Coutinho explicou que, embora a frota chinesa tenha se desenvolvido a partir de tecnologia russa, a China agora avança com capacidades próprias.

Coutinho avalia que a China pode ter obtido conhecimentos restritos da Rússia nesse campo, possivelmente em troca do apoio chinês que a Rússia tem recebido. Essa transferência de conhecimento acelera o desenvolvimento tecnológico chinês na área de submarinos nucleares.

EUA cobram diálogo e a comunidade internacional reage

Em resposta ao teste, o Departamento de Estado americano declarou que o “rápido e opaco aumento do arsenal nuclear de Pequim é motivo de grande preocupação para a região e para o mundo”. Os Estados Unidos instaram a China a “participar de discussões significativas sobre o controle de armas”.

Países da região, como Austrália, Nova Zelândia e Japão, expressaram descontentamento pela falta de aviso prévio e pela ausência de “transparência” no teste. O míssil lançado caiu na Zona Livre de Armas Nucleares do Pacífico Sul, estabelecida pelo Acordo de Rarotonga, que a China ratificou.

Apesar das preocupações, o teste não gerou reações mais incisivas por ora. Coutinho prevê que a pressão dos EUA e aliados pode aumentar, mas considera que ela será “inócua”, dada a capacidade da China de responder a eventuais sanções.

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