Daniel Vorcaro planejou tática de desinformação e fuga após intervenção no Banco Master
Novas informações da Polícia Federal apontam que Daniel Vorcaro, ex-proprietário do Banco Master, orquestrou um plano ambicioso para **atacar o Banco Central** e manipular a opinião pública. A estratégia envolvia a contratação de cerca de 50 influenciadores digitais e a produção de um filme autobiográfico.
O objetivo principal de Vorcaro era criar uma narrativa que o apresentasse como vítima e descredibilizasse as autoridades financeiras, após a liquidação de sua instituição em 2025. O esquema visava **influenciar a percepção pública** sobre os eventos que levaram à intervenção.
As investigações indicam ainda uma tentativa de fuga do país e o acesso a informações sigilosas sobre a operação policial. A defesa de Vorcaro e de outros envolvidos tem apresentado suas versões sobre os fatos. As informações foram divulgadas pela Gazeta do Povo.
Rede de Influência e Investimento Milionário
Segundo as apurações, Daniel Vorcaro teria investido aproximadamente **R$ 8 milhões** para montar uma extensa rede de influenciadores. Essa rede incluía perfis de redes sociais, páginas de fofoca e até jornalistas, todos com o propósito de disseminar uma narrativa específica.
A estratégia, coordenada pelo publicitário Thiago Miranda, visava criar uma **”narrativa única”**. O foco era atacar o Banco Central e as agências de fiscalização, enquanto o Banco Master seria retratado como uma instituição prejudicada por concorrentes de maior porte no mercado financeiro.
Filme Autobiográfico para Contar Sua Versão
Diante da impossibilidade de obter um acordo de delação premiada, Daniel Vorcaro decidiu investir na produção de um filme. A obra, provisoriamente intitulada “Caso Banco Master”, seria o palco para apresentar sua versão dos fatos, buscando **convencer o público de sua inocência** por meio de entrevistas e documentos cuidadosamente selecionados.
O contrato para a produção do filme foi assinado em circunstâncias incomuns, em março de 2026, enquanto Vorcaro ainda estava detido na Superintendência da PF em Brasília. Embora assinar documentos na prisão não seja ilegal, a motivação do projeto chamou a atenção dos investigadores pela **tentativa de interferir nas investigações**.
Tentativa de Fuga e Acesso a Informações Sigilosas
Relatórios encaminhados ao ministro André Mendonça indicam que Daniel Vorcaro teve acesso a informações sigilosas sobre a operação policial antes mesmo de ela ser deflagrada. Essa informação privilegiada teria sido utilizada em uma **tentativa de fuga do Brasil**.
Vorcaro tentou embarcar para os Emirados Árabes Unidos na véspera da ação policial, mas foi preso em flagrante no Aeroporto de Guarulhos em novembro de 2025. A defesa, na época, alegou que se tratava de uma viagem de negócios, especificamente para tratar da venda do banco a investidores estrangeiros.
Posicionamento das Defesas
A defesa de Thiago Miranda refutou as acusações de ilegalidade, afirmando que as contratações de influenciadores eram parte de um **plano legítimo de gestão de crise** e que seu cliente respeita as instituições. Por outro lado, os advogados de Daniel Vorcaro ainda não se manifestaram oficialmente sobre as novas provas apreendidas pela Polícia Federal.