Crise no DC: Filiação de Joaquim Barbosa abala o partido e ameaça candidatura de Aldo Rebelo em 2026

Crise no DC: Filiação de Joaquim Barbosa abala o partido e ameaça candidatura de Aldo Rebelo em 2026

Resumo

Joaquim Barbosa no DC: Novo membro causa cisão e coloca em risco projeto presidencial de Aldo Rebelo.

A entrada do ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, no Democracia Cristã (DC) deflagrou uma crise interna na legenda. O anúncio, feito pelo presidente nacional do partido, João Caldas, imediatamente colocou Barbosa como uma alternativa para a disputa presidencial de 2026, em detrimento de Aldo Rebelo, que havia sido lançado oficialmente como pré-candidato.

A decisão surge em meio a um cenário onde a candidatura de Rebelo não demonstrava crescimento expressivo nas pesquisas de intenção de voto. A avaliação dentro do DC é que a filiação de Barbosa visa aumentar a visibilidade nacional do partido, explorando temas como combate à corrupção e ética pública, áreas associadas à sua trajetória como relator do mensalão e presidente do STF.

Joaquim Barbosa, que apoiou Luiz Inácio Lula da Silva em 2022, ganhou notoriedade nacional pelo julgamento do mensalão e se tornou o primeiro negro a presidir o STF, entre 2012 e 2014. Em 2018, ele chegou a ensaiar uma candidatura presidencial pelo PSB, mas desistiu da disputa.

Rebelião interna e declarações contundentes marcam o desenrolar da crise

A articulação para trazer Joaquim Barbosa ao partido provocou reações imediatas de aliados de Aldo Rebelo. Cândido Vaccarezza, presidente do diretório paulista do DC e ex-deputado, criticou duramente a possibilidade de Barbosa ser candidato, classificando-o como “inapoiável”.

Vaccarezza acusou o ex-ministro de ter iniciado o “lawfare” no Brasil durante o julgamento do mensalão e declarou que lutará contra a candidatura de Barbosa caso ela avance. “Ele começou o ‘lawfare’ no Brasil, não tem compromisso com a democracia, nem experiência política. Não podemos entregar o Brasil para um personagem como esse”, afirmou Vaccarezza, referindo-se ao papel de Barbosa no processo do mensalão.

Em contrapartida, João Caldas, presidente nacional do DC, reagiu com firmeza, declarando que “quem não estiver com Joaquim está fora do partido”. Ele prometeu “expulsar sumariamente” qualquer membro que se oponha à candidatura de Barbosa, enfatizando que “o Joaquim é do Brasil, quem tem de julgar é o povo, nas urnas”.

Aldo Rebelo se manifesta contra a manobra e cita “profundas divergências”

Aldo Rebelo divulgou uma nota pública neste sábado (17) manifestando sua insatisfação com a movimentação da direção partidária. Em seu pronunciamento, o ex-ministro afirmou que não aceita ser substituído por Joaquim Barbosa na disputa presidencial e criticou a condução das negociações sem sua consulta prévia.

“A Democracia Cristã lançou oficialmente minha pré-candidatura à Presidência da República. Não fui comunicado, ouvido ou consultado sobre qualquer mudança desse projeto”, declarou Rebelo na nota. Ele ressaltou que possui “divergências políticas profundas” com Joaquim Barbosa.

Rebelo também criticou decisões tomadas pelo ex-presidente do STF durante o julgamento da Ação Penal 470, o mensalão. Segundo o ex-ministro, Joaquim Barbosa representaria uma visão “punitivista” e de “ativismo judicial”, considerada incompatível com o projeto político que ele defende.

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