STF: Agendas Ocultas e o Debate sobre Transparência e Segurança
A maioria dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) opta por não divulgar suas agendas diárias de compromissos no site da Corte. Essa prática, que limita o acesso público a informações sobre reuniões e eventos, tem sido justificada por questões de segurança. Apenas um pequeno grupo de ministros mantém suas atividades públicas registradas, levantando questionamentos sobre o princípio da publicidade dos atos governamentais.
A falta de transparência levanta preocupações sobre a possibilidade de encontros que deveriam ser de conhecimento público ocorrerem longe dos holofotes. Enquanto alguns defendem a necessidade de proteger a integridade dos magistrados, outros argumentam que o Estado possui meios para garantir a segurança sem comprometer o direito à informação.
Uma proposta de novo código de ética busca tornar a divulgação das agendas uma regra, e não uma escolha individual. A iniciativa visa aumentar a fiscalização e o controle social sobre as atividades dos ministros, especialmente no que tange a audiências com advogados e representantes de partes em processos. A informação é baseada em apuração da Gazeta do Povo.
Ministros que Priorizam a Transparência em 2026
Em 2026, a publicação das agendas no portal oficial do STF é uma prática restrita a poucos integrantes. Até o momento, o presidente da Corte, Edson Fachin, a ministra Cármen Lúcia, e os ministros Cristiano Zanin e Luiz Fux são os que registram seus compromissos. No ano anterior, o então ministro Luis Roberto Barroso também integrava este grupo de transparência antes de sua aposentadoria. Ministros como Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes, por outro lado, não disponibilizam seus registros diários de atividades para consulta pública.
Justificativas para a Falta de Divulgação das Agendas
A principal justificativa apresentada pelo Supremo para a não divulgação das agendas é a segurança dos magistrados. Alega-se que a revelação de horários, locais de reuniões ou trajetos poderia expor os ministros a riscos, facilitando a ação de potenciais agressores. Contudo, não há uma norma interna que obrigue a publicação desses dados, o que transforma a transparência em uma decisão individual de cada gabinete, e não em uma prática institucional uniforme.
O Novo Código de Ética e a Busca por Mais Transparência
O presidente Edson Fachin tem defendido a implementação de um código de conduta que estabeleça a obrigatoriedade da atualização das agendas no site do tribunal. A proposta, relatada por Cármen Lúcia, prevê que todos os ministros tornem públicas as audiências concedidas a advogados ou representantes de partes, incluindo os nomes dos participantes. O objetivo é evitar que reuniões cruciais sobre processos importantes ocorram sem o conhecimento da sociedade ou das partes contrárias.
Resistência à Agenda Aberta e o Contexto Político
A obrigatoriedade da agenda aberta tem enfrentado resistência interna. Ministros como Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes e Dias Toffoli são apontados como críticos à implementação imediata do manual de conduta. Embora concordem teoricamente com a proposta, argumentam que o atual momento político não é o mais adequado. Existe o receio de que a publicidade das relações com empresários e advogados possa ser utilizada como munição política por opositores no Senado, especialmente em um cenário de pedidos de impeachment e tensões eleitorais.
Especialistas Criticam o Uso da Segurança para Ocultar Atos Públicos
Juristas ressaltam que o princípio da publicidade, garantido pela Constituição, exige que os atos públicos sejam acessíveis à população. Analistas argumentam que o Estado possui capacidade de prover segurança armada e escoltas sem a necessidade de ocultar as atividades dos ministros. Para esses especialistas, a ocultação completa da agenda para mitigar riscos pontuais acaba por deturpar a transparência e pode servir para encobrir encontros que deveriam ser fiscalizados pelo interesse público.