Taxa das Blusinhas: Imposto de Importação se Torna o Principal Desgaste Político de Lula, Revelam Pesquisas

Taxa das Blusinhas: Imposto de Importação se Torna o Principal Desgaste Político de Lula, Revelam Pesquisas

Resumo

A conhecida ‘taxa das blusinhas’ se consolidou como o principal vetor de desgaste político para o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, segundo indicam pesquisas de opinião recentes. A decisão de taxar compras internacionais de até US$ 50, oficializada por medida provisória, surge em meio a uma onda de insatisfação popular que coloca a cobrança como a medida mais impopular do terceiro mandato do petista.

Um levantamento recente da AtlasIntel em parceria com a Bloomberg, divulgado em março, revelou que impressionantes 62% dos brasileiros consideram a cobrança um erro do governo. Este índice de reprovação se destaca como o maior entre todas as medidas avaliadas pelo instituto, com apenas 30% aprovando a iniciativa e 8% sem opinião formada.

A rejeição à “taxa das blusinhas” supera outros temas que já geraram controvérsia e desgaste para o Palácio do Planalto. Entre eles, a proposta de fiscalização ampliada do PIX foi reprovada por 59% dos entrevistados, a retirada de estatais dos programas de privatização por 51%, e o arcabouço fiscal, visto como erro por 45% dos consultados.

A denominação popular “taxa das blusinhas” surgiu devido ao impacto direto sobre compras de baixo valor, especialmente de roupas e acessórios, realizadas em plataformas de comércio eletrônico estrangeiras, muitas delas asiáticas. O imposto, que passou a vigorar em 2024, incide sobre encomendas internacionais de até US$ 50, segmento que anteriormente desfrutava de isenção federal dentro do programa Remessa Conforme.

Repercussão Negativa Impacta Comunicação do Governo

Nos corredores do governo, a repercussão negativa da “taxa das blusinhas” tem sido tratada como um dos principais problemas de comunicação e imagem da gestão Lula. A medida afetou diretamente consumidores das classes média e baixa, que haviam incorporado as compras internacionais de baixo custo em sua rotina de consumo, impulsionadas pela popularização das plataformas digitais.

O desgaste se intensificou mesmo com a defesa da medida pela equipe econômica e pelo setor produtivo nacional, que argumentavam a necessidade de aumentar a arrecadação federal e promover um equilíbrio na concorrência com o varejo brasileiro. Setores da indústria e do comércio do país também pressionavam por alterações nas regras de tributação das plataformas internacionais.

Recuo como Estratégia para Mitigar Crise de Imagem

A decisão recente de Lula de zerar o imposto de importação para compras de até US$ 50 é interpretada como uma tentativa de reduzir o impacto negativo gerado pela cobrança. Esse recuo ocorre após meses de desgaste contínuo nas pesquisas de opinião e em um cenário de queda na aprovação geral do governo.

A própria AtlasIntel tem registrado um aumento na desaprovação do presidente nos levantamentos mais recentes. Em março, o instituto apontou que mais da metade dos brasileiros desaprovava o desempenho de Lula à frente do governo federal. A pesquisa ouviu 5.028 brasileiros entre 18 e 23 de março, com margem de erro de um ponto percentual e nível de confiança de 95%.

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