PL entra com ação no TSE contra nova pesquisa da AtlasIntel sobre eleição presidencial, alegando “vício formal agudo”.
O Partido Liberal (PL), sigla do pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro, protocolou nesta quarta-feira (15) um pedido de impugnação ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra a pesquisa divulgada em 1º de julho pelo Instituto AtlasIntel, em parceria com a Bloomberg. Esta é a segunda vez que o partido tenta barrar um levantamento da empresa.
A legenda acusa a AtlasIntel de reincidir em práticas que comprometem a transparência e a auditabilidade de suas pesquisas eleitorais. O PL alega que o instituto não apresentou, dentro do prazo legal, o arquivo de complementação territorial e demográfica, essencial para fiscalizar a execução da amostra.
A AtlasIntel, por sua vez, nega as irregularidades e atribui a polêmica a uma falha no sistema do próprio TSE. O CEO da empresa, Andrei Roman, afirmou que o arquivo geográfico foi submetido corretamente e que a ausência na visualização pública é um problema técnico. Acompanhe os detalhes deste impasse que pode impactar a corrida presidencial.
PL aponta “deliberada opacidade” e “vício metodológico” em pesquisa da AtlasIntel
No pedido de impugnação, o PL descreve a situação como uma “deliberada opacidade” que impede a fiscalização pública da execução da amostra. Segundo o partido, a pesquisa apresenta “vícios metodológicos” no questionário aplicado, com ambiguidade nas faixas de renda e distorção nos registros de escolaridade.
A legenda também levanta a suspeita de que a AtlasIntel pode ter utilizado bases de dados coletadas antes do período oficial de registro da pesquisa ou mantido formulários ativos continuamente. O PL argumenta que a coleta de dados eleitorais deve ocorrer estritamente dentro do intervalo declarado à Justiça Eleitoral, que, neste caso, foi entre 25 e 30 de junho de 2026.
O partido busca que a pesquisa, registrada sob o número BR-04582/2026, seja considerada não registrada e solicita a aplicação de multa máxima de 100 mil UFIRs devido à gravidade e alcance nacional do levantamento.
CEO da AtlasIntel nega irregularidades e culpa sistema do TSE
Andrei Roman, CEO da AtlasIntel, refutou as acusações do PL, afirmando que a nova impugnação “está fundamentada em um erro do sistema do TSE”. Segundo ele, “o arquivo de detalhamento geográfico de municípios e bairros foi devidamente submetido dentro do prazo legal”.
Roman lamentou as tentativas de descredibilizar o trabalho da AtlasIntel e afirmou que a empresa “não mudará sua técnica nem alterará seus estudos por conta de qualquer tipo de pressão política, econômica ou judicial”. Em nota, a empresa reiterou que a alegação não procede.
A AtlasIntel explicou que, embora o arquivo tenha sido enviado corretamente e permaneça disponível na área restrita do sistema, ele deixou de aparecer na visualização pública, indicando um “problema de natureza técnica relacionado ao próprio sistema do TSE”.
Histórico de contestações: segunda representação do PL contra a AtlasIntel
Esta é a segunda representação do PL para barrar um levantamento da AtlasIntel. Em junho, o presidente do TSE, Nunes Marques, suspendeu outra pesquisa da empresa (BR-06939/2026) por associar Flávio Bolsonaro a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. A AtlasIntel apresentou aos entrevistados um áudio atribuído ao senador cobrando Vorcaro sobre financiamento prometido.
Na ocasião, o presidente do TSE argumentou que alguns quesitos poderiam “prejudicar a espontaneidade” das respostas. O julgamento dessa liminar foi interrompido por um pedido de vista da ministra Estela Aranha e ainda aguarda retomada. A Procuradoria-Geral Eleitoral (PGE) se manifestou contra a decisão de Nunes Marques em 22 de junho.
PL propõe novas regras ao TSE para aumentar transparência em pesquisas eleitorais
Diante do que chama de “prática que vem se normalizando”, o PL sugeriu ao TSE o aprimoramento das resoluções sobre pesquisas eleitorais. O partido propõe que uma pesquisa só possa ser publicada após a efetiva juntada de todos os arquivos obrigatórios no sistema, e não apenas pelo registro formal.
Adicionalmente, o PL solicitou que o conceito de coleta de dados passe a abranger formalmente as atividades de captação e recrutamento de entrevistados em redes sociais, restringindo tais práticas ao período registrado. A intenção é garantir maior rigor e evitar possíveis manipulações.