Carlos Bolsonaro rebate acusações e compara suposta rede de perfis falsos da esquerda ao “gabinete do ódio”
Carlos Bolsonaro, ex-vereador do Rio de Janeiro e pré-candidato do PL ao Senado por Santa Catarina, manifestou-se nesta terça-feira (21) sobre o que ele descreve como uma suposta rede de perfis falsos nas redes sociais voltada a atacar a direita. A declaração surge após denúncias de que perfis fantasmas estariam sendo usados para impulsionar mensagens contrárias a candidaturas de direita.
Em sua conta na rede social X, Carlos Bolsonaro relembrou as acusações de que ele seria o líder de uma suposta milícia digital do governo de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, conhecida como “gabinete do ódio”. Ele reiterou a negação dessas alegações, classificando-as como uma “narrativa” criada por adversários políticos.
“Durante todos esses anos, fui acusado e apontado como responsável por uma suposta ‘milícia digital’ ou pelo chamado ‘gabinete do ódio’, que nunca existiram. NUNCA. (…) Tudo isso não passou de uma narrativa criada por adversários políticos do presidente @jairbolsonaro como forma de tentar descredibilizar a força orgânica demonstrada por suas redes sociais”, escreveu Carlos Bolsonaro no X. A citação é atribuída a Carlos Bolsonaro, conforme informação divulgada em sua conta na rede social X.
A “velha máxima” da esquerda e a denúncia do PL
Carlos Bolsonaro fez referência a um lema comum na comunicação política para comentar a situação. “O velho lema da esquerda parece se repetir: ‘acuse-os do que você faz, chame-os do que você é'”, declarou ele. Essa fala faz alusão à denúncia protocolada pelo PL na Justiça Eleitoral sobre o uso de perfis fantasmas e contas de baixa audiência orgânica para impulsionar mensagens contra candidaturas de direita, incluindo a de seu irmão, Flávio Bolsonaro.
A denúncia aponta que 51 páginas com características de “perfis fantasmas” teriam promovido cerca de 4.607 anúncios impulsionados nos primeiros meses do ano, alcançando aproximadamente 250 milhões de visualizações. Paralelamente, o governo Lula teria investido mais de R$ 20 milhões em anúncios na Meta em um período de três meses, segundo informações divulgadas.
“Gabinete do Ódio”: acusações e negações
Carlos Bolsonaro, conhecido por sua influência nas redes sociais do ex-presidente Jair Bolsonaro e pela criação de sua identidade digital, foi acusado pelo delator Mauro Cid, ligado à trama do golpe de Estado, de ser o responsável por um grupo que produzia conteúdo ideológico, o “gabinete do ódio”. Ele sempre negou veementemente essas acusações.
A emergência de uma rede de influenciadores de esquerda, denominada “Porta-Vozes do Lula”, parece ter reacendido em Carlos Bolsonaro a cobrança por investigações sobre a articulação da esquerda na disputa por “corações e mentes” nas redes sociais. Essa nova onda de discussões reforça o debate sobre a influência e a manipulação em ambientes digitais.
O domínio da direita nas redes sociais
As redes sociais são um campo onde a direita tem demonstrado, historicamente, uma forte presença e influência. Um estudo recente indicou que Nikolas Ferreira (PL-MG) é o político mais influente no Instagram, seguido de perto por Michelle Bolsonaro. Nomes de destaque da esquerda, como a deputada Erika Hilton (PSOL-SP) e o presidente Lula, aparecem em posições inferiores no ranking de influência.
A própria esquerda reconhece essa desvantagem em algumas plataformas. Guilherme Boulos, por exemplo, já admitiu a necessidade de “virar o jogo” e aumentar a presença e o engajamento em redes sociais. A disputa pela narrativa e pela influência digital segue acirrada, com ambos os lados buscando consolidar sua presença online.
Origem da frase “Acuse-os do que você faz”
A frase “acuse-os do que você faz, chame-os do que você é” é frequentemente atribuída a figuras como Joseph Goebbels, ministro da propaganda de Adolf Hitler, ou a Vladimir Lênin. No entanto, segundo o site de checagem Snopes, não há registros históricos que comprovem essa autoria, e o lema não possui uma origem definida. A vinculação teórica mais próxima seria com o conceito de projeção psicológica na psicanálise de Sigmund Freud, quando aplicada à propaganda política.