PF prevê conclusão de inquérito sobre Banco Master em agosto, com foco em Daniel Vorcaro e ex-sócio.
A Polícia Federal (PF) tem planos de finalizar em meados de agosto o inquérito que investiga as supostas fraudes financeiras ligadas ao Banco Master. A expectativa é que o ex-banqueiro Daniel Vorcaro seja indiciado, assim como seu ex-sócio, Augusto Lima, e Paulo Henrique Costa, ex-presidente do Banco de Brasília (BRB).
Essas investigações se concentram em operações fraudulentas que teriam ocorrido entre o Banco Master e o BRB. O objetivo dessas manobras seria manter o banco de Vorcaro ativo e viabilizar sua venda para a instituição estatal do Distrito Federal. Uma das operações sob escrutínio é a venda de carteiras de crédito sem lastro, no valor de R$ 12 bilhões, realizada pela empresa Tirreno.
Essa transação específica foi o estopim para a primeira fase da Operação Compliance Zero, deflagrada em novembro do ano passado. Conforme informações divulgadas pela PF, o inquérito em fase de conclusão apura os detalhes dessas operações e seus possíveis desdobramentos. Ainda não há detalhes sobre se políticos e outras autoridades que compunham a rede de influência de Vorcaro serão incluídos nesta etapa da investigação.
Venda de carteiras de crédito e prejuízos ao FGC sob análise
O inquérito em andamento também investiga os impactos das operações do conglomerado do Banco Master sobre o Fundo Garantidor de Crédito (FGC). A PF apura um possível prejuízo de R$ 50 bilhões causado ao FGC. A investigação aponta que o Banco Master oferecia Certificados de Depósito Bancário (CDBs) com rentabilidade considerada irreal para atrair investidores.
Como argumento para atrair clientes, a instituição utilizava a cobertura de até R$ 250 mil garantida pelo FGC, dentro dos limites previstos. Contudo, no momento da liquidação extrajudicial da instituição, o banco possuía apenas R$ 4 milhões em caixa, diante de compromissos que ultrapassavam R$ 100 milhões. A liquidação extrajudicial é um procedimento adotado pelo Banco Central quando uma instituição perde sua capacidade operacional.
Estratégias para inflar ativos e evitar liquidação
As investigações indicam que o Banco Master utilizava uma rede de fundos, que na época não eram fiscalizados pelo Banco Central. O objetivo dessas operações era inflar artificialmente os ativos e aumentar de forma fictícia o patrimônio do banco. Essa estratégia visava evitar a liquidação da instituição e facilitar a concretização da venda ao BRB.
No entanto, o Banco Central rejeitou a operação de venda do Banco Master para o banco público do Distrito Federal e determinou a liquidação da instituição. Daniel Vorcaro chegou a negociar dois acordos de delação premiada, mas as propostas foram rejeitadas pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República (PGR).
Próximos passos: PGR e possível julgamento em 2027
Com a conclusão do inquérito pela PF, caberá à PGR analisar as provas reunidas. A Procuradoria decidirá se apresentará uma denúncia criminal contra os envolvidos ou se solicitará o arquivamento do caso. Caso haja denúncia e ela seja recebida pela Justiça, um julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) deve ocorrer apenas em 2027, devido ao calendário processual apertado.
A investigação sobre o Banco Master e as supostas fraudes financeiras envolvendo Daniel Vorcaro e outros executivos promete avançar significativamente com a conclusão do inquérito pela Polícia Federal. O caso tem potencial para gerar desdobramentos importantes no cenário financeiro e jurídico do país.