Eduardo Bolsonaro prevê demissão da PF e aponta pressão política sobre Ministro da Justiça
O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) declarou que sua exoneração da Polícia Federal, a ser decidida pelo ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, está sujeita a fortes influências políticas. Em entrevista ao portal Metrópoles, ele expressou a crença de que o ministro confirmará sua demissão para evitar sua própria destituição.
Segundo Eduardo Bolsonaro, a probabilidade de o ministro da Justiça rejeitar a recomendação da Polícia Federal é mínima. Ele destacou que a decisão dependerá de um alinhamento com o governo atual, e não espera leniência por parte da administração, dado o histórico de não favorecimento a opositores.
O ex-parlamentar ressaltou que pretende retornar ao Brasil assim que as circunstâncias forem consideradas adequadas. “O Brasil é minha terra, eu quero retornar”, afirmou, reiterando seu vínculo com o país.
PF recomenda demissão de Eduardo Bolsonaro após perda de mandato
A Polícia Federal concluiu o Processo Administrativo Disciplinar (PAD) contra Eduardo Bolsonaro, recomendando sua demissão ao Ministério da Justiça. O processo foi aberto em janeiro, após a corporação apontar um número excessivo de faltas injustificadas, caracterizando abandono de função. Essa medida surge após a perda do mandato de deputado federal em dezembro de 2025, também por abandono de função, decisão tomada pelo presidente da Câmara, Arthur Lira. Com a cassação, a PF determinou que Eduardo reassumisse seu cargo de escrivão, o que não ocorreu.
Eduardo Bolsonaro nos EUA: Green Card e planos de retorno
Eduardo Bolsonaro reside nos Estados Unidos desde o final de fevereiro de 2025, alegando que sua saída do país foi motivada pela percepção de perseguição política contra sua família. Recentemente, ele anunciou a obtenção de um green card concedido pelo governo americano, que permite residência permanente, trabalho e acesso a benefícios de saúde. Apesar disso, o ex-deputado mantém o objetivo de retornar ao Brasil quando julgar o ambiente político favorável.
Condenações e obrigações futuras no Brasil
Caso retorne ao Brasil, Eduardo Bolsonaro terá que cumprir os efeitos de uma condenação imposta pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por coação no curso do processo. A Corte considerou que ele utilizou sua atuação nos Estados Unidos para pressionar ministros durante o julgamento de uma ação penal contra o ex-presidente Jair Bolsonaro. O ex-presidente, condenado, cumpre prisão domiciliar.
A decisão da PF pela demissão por abandono de função se deu após a não reintegração de Eduardo Bolsonaro ao cargo de escrivão na corporação, conforme determinado após a perda de seu mandato parlamentar. A instauração do PAD foi o passo seguinte para formalizar o pedido de desligamento.