Senador Flávio Bolsonaro levanta dúvidas sobre urnas eletrônicas em encontro com diplomatas, mas nega questionamento ao sistema
Em um evento fechado com representantes de 42 países, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) causou alvoroço ao sugerir uma conexão entre as urnas eletrônicas brasileiras e máquinas utilizadas na Venezuela, citando supostos relatórios de inteligência dos Estados Unidos. A declaração, feita na última terça-feira (21), rapidamente gerou repercussão e levou a uma nota de retratação por parte do parlamentar e de sua equipe de pré-campanha.
Durante o encontro em Brasília, Flávio Bolsonaro mencionou que muitas das máquinas de votação usadas no Brasil teriam a mesma origem da Smartmatic, empresa que é alvo de investigações por suspeitas de manipulação de votos no país vizinho. Apesar da fala, o senador ressalvou no momento que não estava questionando o sistema eleitoral brasileiro, mas sim defendendo o envio de observadores internacionais para as próximas eleições.
A fala do senador, contudo, foi prontamente contestada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Conforme informação divulgada pela própria Justiça Eleitoral, o TSE reiterou que a Smartmatic **nunca forneceu urnas eletrônicas ou softwares para as eleições no Brasil**. A empresa teria prestado apenas serviços de apoio técnico, como conexão de dados e voz, e treinamentos, mas todo o projeto e programação das urnas são desenvolvidos e gerenciados exclusivamente pela Justiça Eleitoral brasileira.
Defesa de Flávio Bolsonaro alega descontextualização das falas
Após a repercussão negativa das declarações, a equipe do senador Flávio Bolsonaro divulgou uma nota oficial. No comunicado, assinado também por coordenadores de sua pré-campanha, o parlamentar **negou qualquer questionamento à integridade do sistema eleitoral brasileiro**. A defesa sustentou que as falas foram descontextualizadas e que o senador apenas relatou fatos públicos, como os relatórios da CIA sobre a Venezuela. A nota reafirmou a **’integral confiança’ no processo eleitoral brasileiro**.
Precedente jurídico: inelegibilidade de Jair Bolsonaro
O episódio remete a um caso semelhante ocorrido em 2023, quando o ex-presidente Jair Bolsonaro foi declarado **inelegível pelo Tribunal Superior Eleitoral**. Na ocasião, Bolsonaro foi criticado por questionar a segurança das urnas eletrônicas em uma reunião com embaixadores, o que a Justiça Eleitoral considerou como **abuso de poder político e desvio de finalidade**, por usar a estrutura pública para disseminar dúvidas sem provas sobre o sistema de votação.
Observadores internacionais: um pedido por transparência
No evento com diplomatas, Flávio Bolsonaro também defendeu a presença de **missões de observação internacional** nas eleições de 2026. Estes grupos são compostos por especialistas estrangeiros convidados para acompanhar de perto o dia da votação, com o objetivo de atestar a transparência e a lisura do processo eleitoral. O senador argumentou que a presença de observadores, especialmente técnicos, contribui para a **confiança pública nos resultados eleitorais**.
TSE reforça segurança e autonomia do sistema eleitoral brasileiro
O Tribunal Superior Eleitoral tem consistentemente reforçado a segurança e a confiabilidade das urnas eletrônicas. O sistema de votação brasileiro é desenvolvido e auditado pela própria Justiça Eleitoral, com participação de diversas entidades fiscalizadoras. A autonomia tecnológica e a segurança da informação são pilares que garantem a integridade do processo democrático no país, afastando qualquer possibilidade de interferência externa ou manipulação por meio das máquinas.