Zema é denunciado ao STJ por calúnia contra Gilmar Mendes em caso dos fantoches de "Os Intocáveis"

Zema é denunciado ao STJ por calúnia contra Gilmar Mendes em caso dos fantoches de “Os Intocáveis”

Resumo

PGR denuncia Romeu Zema ao STJ por suposta calúnia contra Gilmar Mendes em caso dos fantoches

A Procuradoria-Geral da República (PGR) apresentou nesta sexta-feira (15) uma denúncia contra o pré-candidato à presidência Romeu Zema. A acusação é de suposta calúnia contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, em decorrência da série de vídeos “Os Intocáveis”.

Os vídeos em questão retratam Gilmar Mendes e o ministro Dias Toffoli como bonecos em conversas sobre a CPI do Crime Organizado. A divulgação da série motivou Gilmar a pedir ao ministro Alexandre de Moraes a inclusão de Zema no inquérito das fake news, pedido que foi encaminhado à PGR.

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, considerou que a competência para julgar Zema é do Superior Tribunal de Justiça (STJ), devido à relação dos vídeos com o exercício de seu cargo. A denúncia, obtida pelo portal Metrópoles, aponta para o crime de calúnia majorada, por ter sido praticada contra um servidor público. Gonet também solicitou que Zema seja condenado a indenizar Gilmar Mendes em 100 salários mínimos por danos morais.

Polêmica dos “fantoches” e o pedido de investigação

A polêmica teve início com a série “Os Intocáveis”, onde Zema utilizou recursos visuais para satirizar ministros do STF. Em um dos episódios, Gilmar Mendes e Dias Toffoli são apresentados como fantoches, em uma encenação que buscava ironizar discussões sobre investigações relevantes para o país.

Alexandre de Moraes, ao receber o pedido de Gilmar Mendes, analisou a situação e a encaminhou para a PGR, considerando a pertinência da investigação sobre possíveis ofensas a membros da Suprema Corte. A análise da PGR se concentrou na natureza das declarações e na figura pública de Zema.

PGR arquiva representação contra Gilmar Mendes por suposta homofobia

Em um desdobramento relacionado, a PGR arquivou no final de abril um pedido de investigação contra o próprio Gilmar Mendes. A representação o acusava de suposta homofobia em críticas direcionadas a Romeu Zema.

Na ocasião, Gilmar Mendes comparou as críticas de Zema a integrantes da Corte a “fazer piadas com coisas sérias”. Ele questionou se retratar o político como “homossexual” seria ofensivo, gerando controvérsia. “Se começamos a fazer piadas com coisas sérias, com as instituições, imagine que comecemos a fazer bonecos do Zema como homossexual. Será que não é ofensivo? Ou se fizermos ele roubando dinheiro no estado, será que não é ofensivo? É correto brincar com isso?”, declarou o ministro em entrevista ao portal Metrópoles.

Horas depois, Gilmar Mendes utilizou as redes sociais para se desculpar. “Não tenho receio de reconhecer um erro. Errei quando citei a homossexualidade ao me referir ao que seria uma acusação injuriosa contra o ex-governador Romeu Zema. Desculpo-me pelo erro. E reitero o que está certo”, afirmou.

Análise da PGR sobre a questão da homofobia

O procurador-regional da República, Ubiratan Cazetta, analisou a representação protocolada e descartou a possibilidade de homofobia. Cazetta reconheceu que a fala de Gilmar Mendes fez “referência à homossexualidade como elemento retórico”, mas ressaltou que a própria inadequação foi reconhecida pelo autor, com retratação pública e espontânea.

A decisão da PGR em arquivar a representação contra Gilmar Mendes indica que a análise se concentrou na intenção e no contexto das declarações, bem como na retratação posterior do ministro. O caso reforça a sensibilidade em torno de declarações públicas envolvendo figuras políticas e autoridades judiciárias.

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