Cuba vive dias de intensa convulsão social com protestos que se intensificam em Havana. A população, farta de apagões prolongados e da crise econômica, começa a desafiar abertamente as forças do regime comunista, em um cenário que remete a momentos históricos de insatisfação popular na ilha.
A capital cubana se tornou palco de manifestações contínuas, marcadas por um crescente descontentamento. Moradores de diversos bairros expressam sua frustração de maneiras cada vez mais diretas, batendo panelas, bloqueando ruas e, em um ato de coragem sem precedentes, confrontando diretamente os agentes de segurança do Estado.
A faísca para essa nova onda de protestos parece ter sido os apagões generalizados. Em algumas áreas, o fornecimento de energia elétrica chegou a ficar interrompido por mais de 40 horas consecutivas, com breves retornos que apenas aumentavam a angústia da população. A situação se agravou com o anúncio de novos cortes pela União Elétrica de Cuba (UNE).
Essa escalada de protestos, conforme divulgado pelo portal Martí Notícias, ocorre em um momento delicado para o regime de Miguel Díaz-Canel. A crise econômica cubana se aprofunda, e a pressão internacional, especialmente dos Estados Unidos, tem aumentado significativamente, culminando em novas restrições e um cenário de incerteza política e social na ilha.
Moradores em confronto direto com a polícia em Havana
Durante os atos de quinta-feira (14), a tensão atingiu um novo patamar. Relatos indicam que moradores da capital cubana chegaram a confrontar diretamente policiais enviados para dispersar as manifestações. Segundo o Martí Notícias, a população reagiu à repressão com pedras após os agentes avançarem contra os civis, demonstrando a crescente audácia e desespero dos manifestantes.
Apagões e crise econômica alimentam a revolta popular
A União Elétrica de Cuba (UNE), empresa estatal, anunciou novos apagões para sexta-feira, prevendo que mais da metade do país ficaria sem energia durante o horário de pico de consumo. Essa medida, somada à escassez de água e aos problemas econômicos crônicos, intensifica o clima de insatisfação. A crise econômica em Cuba tem sido agravada por fatores internos e pela política externa dos Estados Unidos.
Desde janeiro, o governo dos EUA, sob a administração de Donald Trump, ampliou as restrições ao fornecimento de combustível para a ilha, exacerbando a escassez energética e a crise econômica que já assola o país. Essa pressão externa tem sido um fator relevante no descontentamento popular.
Regime intensifica repressão e EUA aumentam pressão diplomática
Em resposta à nova onda de protestos, o regime cubano tem ampliado a presença policial em Havana. O objetivo é evitar que as manifestações ganhem proporções semelhantes às de julho de 2021, quando milhares de cubanos foram às ruas em protestos históricos contra o governo comunista. A memória desses eventos recentes contribui para a tensão atual.
A semana também foi marcada por uma pressão adicional dos Estados Unidos. O diretor da CIA, John Ratcliffe, esteve em Cuba para transmitir uma mensagem clara: Washington está disposto a negociar questões econômicas e de segurança, mas exige “mudanças fundamentais” por parte do regime cubano. Essa diplomacia de pressão sinaliza um possível endurecimento das relações bilaterais.
No mesmo dia, a CBS News noticiou que o governo Trump prepara um processo criminal contra Raúl Castro, ex-ditador cubano. A acusação refere-se à derrubada de dois aviões civis do grupo Irmãos para o Resgate em 1996, que resultou na morte de quatro exilados cubanos e cubano-americanos. Raúl Castro, que comandava as Forças Armadas na época, ainda é considerado uma figura de grande influência no regime, e essa notícia adiciona mais um elemento de tensão ao cenário político cubano.