Governo Brasileiro Critica Nova Tarifa dos EUA e Anuncia Medidas de Apoio e Defesa Comercial
A indústria brasileira volta a sentir o peso das políticas protecionistas dos Estados Unidos. Ministros confirmaram nesta quinta-feira (23) que uma nova tarifa imposta pelos EUA resultará em uma **dupla taxação de 37,5%** para diversos setores estratégicos das exportações do Brasil.
A medida, que soma uma nova alíquota de 12,5% a uma tarifa anterior de 25%, preocupa exportadores e pode afetar significativamente a balança comercial. A decisão americana tem gerado forte reação do governo brasileiro, que a considera um artifício para contornar decisões judiciais internas dos EUA.
Em resposta, o Brasil não apenas criticou a medida, mas também anunciou um plano de apoio financeiro para as empresas afetadas e a intenção de levar a disputa à Organização Mundial do Comércio (OMC). A informação foi divulgada pelo ministro da Indústria e Comércio, Márcio Elias Rosa, e reforçada pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, conforme apurado por esta reportagem.
Setores Chave Sob Nova Tributação Americana
O ministro da Indústria e Comércio, Márcio Elias Rosa, detalhou que a **dupla taxação de 37,5%** afetará uma ampla gama de produtos. Entre eles, destacam-se calçados, máquinas, equipamentos, peças, componentes, confecções e produtos químicos, com exceção dos farmacêuticos. “Lamentavelmente, muitos setores estarão sujeitos à dupla tributação de 37,5%”, afirmou o ministro a jornalistas.
Por outro lado, o ministro informou que cerca de 2 mil produtos, incluindo itens de grande importância para o agronegócio como carnes, café e suco de laranja, permanecerão isentos da nova tarifa. No entanto, setores como celulose e pescados, que antes não sofriam a taxação de 25%, agora enfrentarão a nova alíquota de 12,5%, totalizando a mesma carga tributária de 37,5% em alguns casos.
Motivação da Nova Tarifa e Críticas do Governo Brasileiro
Segundo o ministro Rosa, os Estados Unidos estariam utilizando a investigação da “Seção 301”, que apura suposto trabalho forçado, como uma justificativa para implementar a nova tarifa. Essa medida seria uma forma de contornar uma decisão da Suprema Corte americana de fevereiro, que invalidou uma taxa anterior de 10% aplicada a 60 países.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, endossou essa visão, classificando a ação americana como um “mero expediente”. “Isso me faz concluir que é um mero expediente para substituir aquela tarifa anterior que caiu na Suprema Corte dos EUA. O próprio presidente Trump disse então que daria um jeito, e deram um jeito. Não tem justificativa”, declarou Durigan em entrevista à BandNews.
Brasil Promete Ação na OMC e Apoio aos Exportadores
O governo brasileiro reafirmou seu compromisso em defender os interesses nacionais e anunciou que levará a contestação da nova tarifa à Organização Mundial do Comércio (OMC). Paralelamente, para mitigar os impactos econômicos, foi anunciado que a terceira etapa do Plano Brasil Soberano oferecerá R$ 18,5 bilhões em créditos para as empresas brasileiras afetadas pela medida. O apoio financeiro está condicionado à manutenção dos empregos.
O ministro Rosa também destacou que o Brasil é uma referência internacional no combate ao trabalho forçado e que o governo não abrirá mão do uso da Lei de Reciprocidade, que visa proteger a economia brasileira. Novos contatos com o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) estão previstos para o próximo mês, após a conclusão de um levantamento técnico detalhado dos dados afetados.
Diversificação de Mercados como Estratégia de Longo Prazo
Diante do cenário de novas barreiras comerciais, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, ressaltou a importância da diversificação de mercados como principal estratégia para o futuro das exportações brasileiras. Ele destacou que o Brasil tem batido recordes na balança comercial com a China e outros países asiáticos, indicando esse como “o caminho” a seguir.
“Quem não quer comprar da gente, nós vamos insistir, vamos negociar, mas nós precisamos continuar vivendo e, para isso, diversificar a exportação, fazer novas vendas no mercado interno. Nós vamos apoiar o nosso empresariado”, enfatizou Durigan. A prioridade máxima, segundo o ministro da Indústria, é “acolher e preparar os setores atingidos” para a busca de novos mercados e o enfrentamento legal da medida americana.