Rogério Marinho busca esclarecimento no STF após vazamento envolvendo Flávio Bolsonaro e Banco Master
O senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da pré-campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL), informou nesta sexta-feira (15) que solicitou providências ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, a respeito de um suposto “vazamento seletivo” relacionado ao caso do Banco Master.
A polêmica surgiu após o site The Intercept Brasil revelar que Flávio Bolsonaro teria negociado um patrocínio de R$ 134 milhões com Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, para financiar o filme “Dark Horse”. Flávio Bolsonaro confirmou o pedido, mas negou qualquer irregularidade na transação.
Em entrevista à CNN Brasil, Marinho detalhou sua conversa com o ministro Mendonça. “Procurei ontem (quinta, 14), o ministro relator, André Mendonça, e pedi que ele observasse essa situação. Nós queremos que haja esclarecimento, investigação, mas não seletividade e direcionamento”, declarou o senador, conforme divulgado pelas fontes.
Marinho defende Flávio e nega irregularidades na negociação
Rogério Marinho destacou que Flávio Bolsonaro atuou na prospecção de investidores para o projeto cinematográfico, mas que o nome de Daniel Vorcaro só não havia sido revelado anteriormente devido a cláusulas de confidencialidade.
O senador rebateu as críticas sobre um suposto “vínculo de irmãos” entre Flávio e o banqueiro, afirmando que a relação era estritamente profissional e focada no financiamento da obra. Ele argumentou que Vorcaro era um investidor ativo em diversos setores, com relações comerciais estabelecidas com grandes grupos de mídia e outros políticos.
Isso, segundo Marinho, tornaria impossível prever eventuais problemas jurídicos do empresário na época. O Intercept divulgou mensagens que indicariam proximidade entre Vorcaro e Flávio. Uma delas, datada de 16 de novembro de 2025, mostraria o senador dizendo ao empresário: “Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz! Abs!”. No dia seguinte, Vorcaro foi preso pela Polícia Federal ao tentar deixar o país.
Descarte de substituição e confiança na pré-candidatura
Apesar do desgaste gerado pela divulgação das informações, Rogério Marinho descartou veementemente qualquer possibilidade de substituição de Flávio Bolsonaro na chapa presidencial. Ele ressaltou que nomes como o da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) não são cogitados pelo comando do partido para esse fim.
“Evidentemente, ele conta com a nossa confiança, será o nosso candidato e vencerá as eleições. Não há nenhuma especulação por parte do comando do partido, aliás, ninguém especulou isso”, enfatizou Marinho.
Segundo o senador, a postura de Flávio Bolsonaro em prestar explicações públicas demonstra “franqueza” e garante a continuidade de sua agenda política. Ele também abordou a questão dos recursos, afirmando que, caso a Justiça comprove a origem ilícita do dinheiro de Vorcaro, os valores serão devolvidos à massa falida ou ao processo judicial após a comercialização e apuração de lucros do filme nos Estados Unidos.
Vazamento seletivo e a defesa de Flávio Bolsonaro
Marinho classificou a divulgação das informações como um “vazamento seletivo”, indicando que busca por esclarecimento e investigação, mas sem direcionamentos ou parcialidade. A intenção é garantir que o processo seja justo e transparente para todos os envolvidos.
A defesa de Flávio Bolsonaro se baseia na alegação de que a negociação para o financiamento do filme era uma atividade de prospecção de investidores, algo comum no mercado. A confidencialidade do acordo, segundo Marinho, impedia a divulgação prévia do nome do patrocinador.
A proximidade entre Flávio e Vorcaro, evidenciada pelas mensagens, é tratada pelo senador como uma relação de negócios e não como um indicativo de irregularidade. A prisão de Vorcaro no dia seguinte a uma das mensagens reforça a necessidade de investigação, mas, segundo Marinho, não compromete a pré-candidatura de Flávio.