
O governador Lucas Ribeiro (Progressistas) sinalizou nesta quarta-feira (7) que o Republicanos deve continuar à frente da Assembleia Legislativa da Paraíba (ALPB) na legislatura que começa em 2027. A declaração foi dada em entrevista na TV, três dias depois da eleição que garantiu a ele um novo mandato no Palácio da Redenção.
“Houve uma sinalização de respeitar os espaços que cada partido já tem, inclusive a Presidência da Assembleia”, afirmou o governador. Lucas acrescentou que não pretende interferir na escolha, embora mantenha o diálogo sobre o tema e respeite os compromissos firmados anteriormente com os aliados.
Acordo antigo, agora reafirmado
A fala do governador não surge do nada. Em dezembro do ano passado, o presidente da Casa, Adriano Galdino (Republicanos), já havia confirmado que a manutenção da Presidência da Assembleia fez parte da negociação que manteve o partido na base do governo estadual.
Ao reafirmar esse entendimento logo depois das urnas, Lucas sinaliza aos aliados que os compromissos da pré-campanha continuam valendo para o novo mandato. É um gesto que reduz ruídos na base e evita que a disputa pelo comando do Legislativo vire foco de tensão justamente no início do governo.
Dez anos de Adriano Galdino no comando
Adriano Galdino está em seu quinto mandato consecutivo como presidente da ALPB e completa dez anos no cargo ao fim de 2026. Nesse período, a Assembleia se consolidou como uma das principais peças de sustentação política dos governos estaduais, e o Republicanos se tornou um dos partidos mais influentes da Casa.
Em abril deste ano, Galdino já havia apontado o nome que considera ideal para sucedê-lo: o deputado Wilson Filho, também do Republicanos, que foi reeleito no último domingo (4) para mais um mandato na Assembleia.
Como funciona a eleição da Mesa
A escolha do novo presidente da Assembleia acontece em 1º de fevereiro de 2027, mesmo dia da posse dos 36 deputados estaduais eleitos. Quem vota são os próprios parlamentares, e a composição da Mesa Diretora costuma ser costurada nos meses anteriores, em negociações entre os partidos e o governo.
A nova Assembleia terá uma renovação expressiva: 15 das 36 cadeiras ficarão com deputados de primeiro mandato. Esse grupo de estreantes deve ser decisivo na formação das alianças para a Mesa, o que torna a sinalização do governador ainda mais relevante neste momento.
Leitura do Jogo
Ao falar publicamente em “respeitar os espaços que cada partido já tem”, Lucas Ribeiro dá um recado duplo. Para o Republicanos, confirma que o acordo segue de pé. Para os demais partidos da base, deixa claro que o Palácio não pretende abrir uma nova frente de disputa pela Presidência da Casa.
Com Adriano Galdino encerrando um ciclo de dez anos e Wilson Filho como nome já indicado, o cenário aponta para uma transição construída dentro do próprio partido e alinhada ao governo. Até fevereiro, o desafio será transformar essa sinalização em votos entre os 36 deputados, incluindo a numerosa bancada de novatos.