
Reeleito governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos) admitiu que pode disputar a Presidência da República em 2030. Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, ele afirmou que um bom desempenho no segundo mandato à frente do estado pode abrir caminho para uma candidatura nacional.
“Terminando bem o segundo mandato, obviamente abre uma possibilidade”, disse o governador. Segundo ele, a decisão não seria tomada sozinho, mas em conjunto com os aliados.
Prioridade é o segundo mandato
Tarcísio repetiu que o foco imediato é governar São Paulo pelos próximos quatro anos. Entre as prioridades citadas estão a conclusão de obras, maior presença do governo nas periferias, saúde, segurança pública e infraestrutura.
Cobrança por ajuste fiscal
Na mesma entrevista, o governador avaliou que o presidente Lula (PT), reeleito para o quarto mandato, terá desafios econômicos pela frente e precisará fazer ajustes nas contas públicas. Ele questionou como o governo vai cumprir os benefícios prometidos na campanha e de onde sairão os recursos para despesas já contratadas, e classificou o momento como de “incoerência fiscal”.
O contexto: Flávio fora do país
A declaração ocorre poucos dias depois de o senador Flávio Bolsonaro (PL), derrotado no segundo turno, deixar o Brasil rumo aos Estados Unidos. Desde então, Tarcísio vem adotando um tom mais nacional e defendendo a unidade da oposição ao governo Lula. O governador também disse ter aconselhado Flávio a não sair do país.
Leitura do Jogo Político
Com a principal liderança eleitoral da direita fora do Brasil e sob investigação, abre-se um espaço que Tarcísio passa a ocupar com cautela: admite a possibilidade, mas condiciona tudo ao desempenho em São Paulo e a uma decisão coletiva. O discurso centrado em responsabilidade fiscal também serve para diferenciá-lo e aproximá-lo do eleitor de centro e do mercado.
Ainda faltam quatro anos para a próxima eleição presidencial, e o cenário na oposição deve passar por rearranjos até lá, incluindo a definição do papel do PL e do próprio Flávio Bolsonaro nos próximos meses.