
O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, deixou clara nesta quinta-feira (29) a divergência da cúpula do partido com a carta divulgada por Flávio Bolsonaro depois de deixar o Brasil. “Não gostei. Não gostei”, disse a jornalistas em Brasília, antes de visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Bolsonaro cumpre prisão domiciliar na capital federal, e o encontro foi autorizado pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal.
A carta que dividiu o partido
Flávio chegou a Miami com a família na quarta-feira (28), apesar de uma decisão do STF que o proibia de deixar o país. No mesmo dia, publicou uma carta em que se apresentava como “verdadeiro presidente eleito do Brasil”. Depois, trocou a expressão por “líder do Brasil”, mas manteve as acusações contra o processo eleitoral, sem apresentar provas.
A direção do PL seguiu outro caminho. Em nota assinada por Valdemar ainda na segunda-feira (26), o partido reconheceu o resultado da eleição presidencial proclamado pelo Tribunal Superior Eleitoral, que deu a vitória a Lula, e afirmou que vai buscar esclarecimentos sobre o que chamou de medidas eleitoreiras “com responsabilidade, transparência e respeito às instituições”.
Reação de aliados
As alegações de Flávio também foram rejeitadas fora do PL. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), defendeu o respeito ao resultado das urnas, e partidos como União Brasil, PSD, PSDB e MDB se manifestaram no mesmo sentido.
Até o senador Rogério Marinho, indicado por Flávio na carta para presidir o Senado, prestou solidariedade ao colega, mas afirmou que não há provas de fraude na eleição.
A preocupação com 2027
Segundo informações de bastidores, a cúpula do PL teme que a postura de Flávio atrapalhe as negociações para a próxima legislatura. O partido terá as maiores bancadas da Câmara e do Senado a partir de fevereiro, mas depende de alianças para disputar cargos de comando, como as presidências das duas Casas, e para aprovar suas propostas.
A Polícia Federal investiga as circunstâncias da saída de Flávio do país, mas afirma que ele não é considerado foragido.
Leitura do Jogo Político
A frase curta de Valdemar marca uma separação clara entre o discurso de Flávio e a estratégia do partido. O PL saiu das urnas como a maior força do Congresso e quer transformar esse tamanho em poder de negociação. A visita a Bolsonaro, logo após a crítica, indica que a palavra final sobre o rumo da direita deve passar pelo ex-presidente, e não pela carta enviada de Miami.