Arte do Jogo Político: Flávio quer liderar a oposição dos EUA e indica Rogério Marinho ao Senado

Dos EUA, Flávio diz que vai liderar a oposição e indica Marinho

Flávio Bolsonaro chega a Miami, diz que vai liderar a oposição de fora do país e indica Rogério Marinho ao Senado; Marinho vê falta de provas de fraude.

Resumo

Flávio quer liderar a oposição dos EUA

Três dias depois de perder o segundo turno para Lula, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) desembarcou em Miami e anunciou que pretende comandar a oposição ao governo a partir dos Estados Unidos. Ele chegou nesta quarta-feira (28) em um jato particular ao aeroporto de Opa-Locka, acompanhado da esposa e das filhas, depois de passar pela Argentina e pelo Equador.

A carta e a mudança de título

Em vez de entrevista, Flávio divulgou uma carta de três páginas. No primeiro texto, se apresentou como “verdadeiro presidente eleito” e voltou a falar em fraude, sem apresentar provas. Depois, apagou a publicação e passou a se descrever como “líder do Brasil”.

No documento, o senador diz que deixou o país para escapar do que chama de “regime de exceção”, cita figuras históricas que atuaram do exílio e promete manifestações periódicas e mobilização “por todos os meios pacíficos e legítimos”. Ele também agradeceu ao presidente dos EUA, Donald Trump, e ao presidente argentino, Javier Milei, e indicou o senador Rogério Marinho (PL-RN) como seu candidato à presidência do Senado.

Marinho se solidariza, mas descarta fraude

Coordenador da campanha e líder do PL no Senado, Marinho classificou a carta como um desabafo e chamou Flávio de “exilado político”. Ao mesmo tempo, afastou-se da tese central do aliado: disse que não há evidências de fraude na eleição. Trump, por sua vez, afirmou que o pleito foi “estranho”, mas que não vai se envolver na disputa.

A situação jurídica

O ministro Alexandre de Moraes, do STF, havia determinado que Flávio entregasse os passaportes e permanecesse no Brasil. O prazo não foi cumprido, e a Polícia Federal apura o descumprimento. Mesmo assim, a PF afirma que ele não é considerado foragido, já que a violação de uma restrição de viagem, sozinha, não produz esse enquadramento. Não há mandado de prisão contra o senador.

Do lado do governo, Lula chamou a saída de “vergonhosa” e disse que quem foge do próprio país deve ter algo a esconder. O PT pediu ao STF a prisão do senador.

Leitura do Jogo Político

A estratégia de liderar a oposição a distância tem custo alto. Sem presença física no Congresso, Flávio perde o principal palco de quem quer comandar um campo político, e o mandato de senador termina em 31 de janeiro. Enquanto isso, o PL já se movimenta no Brasil: o presidente do partido, Valdemar Costa Neto, se reuniu com Michelle Bolsonaro para discutir o futuro da legenda.

O gesto de Marinho também diz muito. Ao aceitar a indicação para o Senado, mas recusar a narrativa de fraude, ele sinaliza que parte da direita quer seguir no jogo institucional. A disputa pela presidência do Senado, em fevereiro, será o primeiro teste de força da oposição no novo mandato de Lula.

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