
Três dias depois da vitória no segundo turno, o presidente Lula (PT) começou a desenhar a equipe que vai comandar o país a partir de janeiro de 2027. As conversas estão concentradas no Palácio da Alvorada e, segundo a imprensa nacional, alguns nomes já circulam para cargos estratégicos. Nenhuma indicação foi confirmada oficialmente até agora.
Os cotados
O deputado federal reeleito André Janones (MG), responsável por um dos maiores canais de apoio a Lula nas redes durante a campanha, é avaliado por aliados para a Secretaria de Comunicação Social ou para a Secretaria-Geral da Presidência.
João Campos (PSB), ex-prefeito do Recife, que disputou o governo de Pernambuco e não foi eleito, aparece como opção para o Ministério da Ciência e Tecnologia. Já o atual ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho (Republicanos), é citado para a Secretaria de Relações Institucionais, pasta responsável pela articulação com o Congresso. Também está em discussão entregar a articulação política a um representante do Centrão.
Congresso e agenda externa
Na segunda-feira (26), Lula recebeu os presidentes do Senado, Davi Alcolumbre, e da Câmara, o paraibano Hugo Motta, no primeiro encontro após a eleição. Os dois articulam a permanência no comando das Casas a partir de fevereiro. O presidente também se reuniu com o chanceler Mauro Vieira para tratar dos compromissos internacionais dos próximos meses.
A montagem da equipe econômica é a mais observada. No primeiro pregão depois da eleição, a Bolsa caiu 13,88% e o dólar subiu mais de 8%, num sinal de preocupação do mercado com as contas públicas. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, prometeu reforçar o compromisso com a meta fiscal.
Um Congresso mais difícil
O desenho do ministério passa pela relação com o novo Congresso, em que o PL terá as maiores bancadas na Câmara e no Senado. Para aprovar sua agenda, o governo vai precisar ampliar a base com partidos de centro, o que tende a se refletir na distribuição de pastas.
Leitura do Jogo Político
Os primeiros nomes indicam um governo que quer reforçar a comunicação e abrir espaço para uma nova geração de aliados, sem abrir mão do Centrão na articulação política. O sinal mais esperado, porém, é o da área econômica: a escolha da equipe de 2027 deve pesar mais para o mercado do que qualquer outro anúncio.
Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil