
A disputa pela presidência da Câmara Municipal de João Pessoa para o biênio que começa em 2027 ganhou um recado claro do prefeito Leo Bezerra (PSDB): ele não vai escolher um nome. Em entrevista à rádio 100.5 FM nesta quinta-feira (29), o prefeito afirmou que quatro vereadores da base têm o seu aval e que a decisão ficará com a própria bancada.
“Todos os quatro têm meu aval”, disse Leo. “Quem decide o nome da Câmara são eles.”
Os quatro nomes
- João Corujinha (PP)
- Marcílio do HBE (Republicanos)
- Marmuthe Cavalcanti (Republicanos)
- Damásio Neto (PP)
Os quatro integram o grupo que dá sustentação à gestão municipal. A divisão entre dois nomes do PP e dois do Republicanos ajuda a explicar por que o prefeito preferiu não tomar partido: qualquer escolha antecipada poderia abrir uma fissura entre aliados.
A regra do prefeito
Leo resumiu o critério em uma frase: será presidente quem reunir a maioria da bancada do agrupamento político que apoia a prefeitura. “Quem tiver a maioria da bancada do nosso agrupamento político vai ser o presidente. Pronto. Simples e prático”, afirmou.
O prefeito também agradeceu aos vereadores pelo apoio aos projetos do Executivo e disse manter parceria com os parlamentares, sem intenção de interferir em favor de um dos nomes. A data da eleição da Mesa Diretora ainda não foi anunciada.
Bastidores
Nos bastidores da Câmara, segundo informações que circulam entre vereadores, há articulações para antecipar a eleição e conversas cruzadas entre os grupos. No Republicanos, a orientação é de que prevaleça um entendimento interno do partido antes da votação. No PP, a disputa também passa por negociações com outros vereadores da base.
Na mesma entrevista, Leo já havia admitido mudanças no secretariado antes de 2027, dizendo que conversa individualmente com cada secretário. A reorganização do primeiro escalão e a definição do comando da Câmara caminham juntas no desenho político da segunda metade da gestão.
Leitura do Jogo Político
Ao não escolher um favorito, Leo Bezerra transfere o desgaste da disputa para a própria base e preserva a relação com PP e Republicanos, os dois partidos com mais peso na conta. O risco é a disputa se arrastar e dividir aliados; a vantagem é que, seja quem for o eleito, ele chega ao cargo com a bênção do prefeito e sem ter derrotado o Palácio.