Bolsa despenca 13,88% e dólar dispara 8,21% após a reeleição de Lula

Bolsa cai 13,88% e dólar sobe 8,21% após a reeleição de Lula

Bolsa cai 13,88% e dólar sobe 8,21% no 1º pregão após a reeleição de Lula; circuit breaker volta e Fazenda promete reforçar a meta fiscal.

Resumo

Bolsa despenca 13,88% e dólar dispara 8,21% após a reeleição de Lula

O primeiro pregão depois da reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) entrou para a lista dos dias mais tensos do mercado brasileiro. Nesta segunda-feira (26), o Ibovespa, principal índice da Bolsa de São Paulo, fechou em queda de 13,88%, aos 176.608 pontos. O dólar comercial subiu 8,21% e terminou o dia a R$ 5,40, depois de bater R$ 5,60 durante a sessão.

A queda foi tão forte logo na abertura que a B3 acionou o circuit breaker por volta das 9h57, interrompendo as negociações por 30 minutos. O mecanismo não era usado desde março de 2020, no início da pandemia. A alta do dólar foi a maior em um único dia desde janeiro de 1999.

Por que o mercado reagiu assim

Para analistas ouvidos pela imprensa especializada, o principal motor da queda foi a incerteza sobre a condução das contas públicas no quarto mandato, e não apenas o resultado das urnas em si. Parte do movimento também veio de investidores que tinham se posicionado para uma vitória de Flávio Bolsonaro (PL), que liderou o primeiro turno, e precisaram desfazer essas apostas.

Os juros futuros também dispararam, e o risco-país subiu. No acumulado de outubro, a Bolsa passou a registrar queda, mas ainda mantém alta no ano de 2026.

A resposta do governo

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, tentou acalmar os investidores. Segundo ele, a pasta deve propor ainda este ano mudanças na lei — ou, se for necessário, na Constituição — para buscar formalmente o centro da meta fiscal. A Fazenda também prometeu uma revisão gradual de despesas.

O Tesouro Nacional agiu no mesmo dia: cancelou leilões de títulos públicos e fez recompra de papéis, em torno de R$ 7,1 bilhões, para suavizar a alta das taxas. Lula recebeu Durigan e o ministro do Planejamento, Bruno Moretti, no Palácio da Alvorada ainda na segunda-feira.

O que observar nos próximos dias

O governo começa agora a montar a equipe que assume em janeiro de 2027, e a escolha do comando da economia é o ponto mais acompanhado pelo mercado. Segundo informações de bastidores publicadas pela imprensa nacional, o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e o governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles (PT), estão entre os nomes citados para a Fazenda. Nada foi confirmado.

Outro fator é a relação com o Congresso eleito, que terá o PL como maior bancada na Câmara e no Senado. Medidas fiscais que exigem mudança constitucional dependem de apoio amplo, o que coloca os presidentes Hugo Motta (Republicanos-PB) e Davi Alcolumbre (União-AP) no centro da negociação.

Leitura do Jogo Político

O tombo de segunda-feira foi um recado direto sobre as contas públicas. A reação rápida da Fazenda e do Tesouro mostra que o governo entendeu o sinal. Se o susto vai passar ou virar tendência depende das primeiras decisões fiscais e de quem estará à frente da economia a partir de 2027.

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