
A três dias do 2º turno, as prestações de contas entregues à Justiça Eleitoral mostram que a campanha de Flávio Bolsonaro (PL) gastou mais do que a de Lula (PT). Até a tarde de quarta-feira (21), Flávio havia declarado R$ 74,6 milhões em despesas, contra R$ 65,7 milhões de Lula.
Os números de cada um
- Flávio Bolsonaro: R$ 74,6 milhões no total — R$ 65,1 milhões até o 1º turno e R$ 9,5 milhões depois dele. Arrecadou R$ 95,5 milhões.
- Lula: R$ 65,7 milhões no total — R$ 65,6 milhões até o 1º turno e, por enquanto, só R$ 36 mil declarados no 2º turno. Arrecadou R$ 118,4 milhões.
O limite de gastos para presidente é de R$ 133,4 milhões (R$ 88,9 milhões no 1º turno e R$ 44,5 milhões no 2º). Flávio usou 55,9% do teto; Lula, 49,3%.
Onde foi o dinheiro
Os maiores gastos revelam estratégias diferentes. A campanha de Flávio concentrou recursos no digital: o maior fornecedor é a agência do marqueteiro Duda Lima, que recebeu R$ 13,1 milhões, e a lista de principais despesas inclui inteligência de dados, monitoramento em tempo real e comunicação segmentada nas redes.
Já a campanha de Lula aposta em um modelo mais tradicional, sem abrir mão do digital: entre os maiores gastos estão empresas de estrutura de eventos (palco, som e luz), uma gráfica de panfletos, faixas e cartazes e um instituto de pesquisa.
Os números ainda vão mudar
Os valores são parciais. As campanhas costumam lançar despesas com atraso, e a prestação de contas final dos dois turnos só é entregue nas semanas seguintes à eleição. Por isso, o baixo valor declarado por Lula no 2º turno até agora não significa, necessariamente, que a campanha gastou pouco nesta fase.
Leitura do Jogo Político
Os gastos refletem dois jeitos de fazer campanha: Flávio aposta no alcance das redes e na segmentação de mensagens; Lula combina com atos de rua e material impresso, forte no Nordeste. Com as pesquisas registradas apontando empate técnico, cada real da reta final vai para onde as campanhas acreditam estar o voto que decide.
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