Debate da Globo hoje: horário, regras e o que Lula e Flávio buscam

Debate da Globo entre Lula e Flávio Bolsonaro é nesta sexta (23), após o Jornal Nacional. Veja regras, temas, checagem e a estratégia de cada lado.

Resumo

A dois dias do 2º turno, Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) se enfrentam nesta sexta-feira (23) no último debate antes da votação. O confronto acontece nos estúdios da TV Globo, no Rio de Janeiro, logo depois do Jornal Nacional, com mediação do jornalista César Tralli. A transmissão também será feita pela GloboNews e pelo g1.

O debate é praticamente o único compromisso público dos dois candidatos no dia. As agendas oficiais de Lula e de Flávio não preveem outros eventos além do encontro na emissora.

Como vai funcionar

O debate terá quatro blocos, com perguntas diretas entre os candidatos, respostas, réplicas e tréplicas.

  • 1º bloco: as cinco regiões do país (Norte, Nordeste, Centro-Oeste, Sudeste e Sul) são sorteadas. Em cada rodada, o candidato sorteado pergunta ao adversário sobre a região. Todas as regiões precisam ser contempladas, o que garante espaço para o Nordeste no debate.
  • 2º e 3º blocos: os candidatos escolhem temas entre dez opções definidas pela emissora, como SUS, ensino integral, dívida pública, relações com China e Estados Unidos e inteligência artificial. Seis dos dez temas serão usados.
  • 4º bloco: temas livres. Cada candidato terá oito minutos para administrar como quiser.
  • Encerramento: um minuto e meio de considerações finais para cada um.

Nos três primeiros blocos, cada candidato tem três minutos por rodada para dividir entre suas falas. As regras foram assinadas pelas duas campanhas no início da semana.

Checagem em tempo real

Uma equipe de mais de 30 jornalistas vai checar as falas dos candidatos. Cada afirmação receberá uma de três classificações: “Fato”, “Não é bem assim” ou “Fake”. Parte das checagens será exibida durante o próprio debate, e o restante será publicado depois.

O que cada campanha quer

As duas campanhas têm objetivos parecidos na largada: conquistar os poucos eleitores ainda indecisos, segurar a base e reduzir a abstenção registrada no 1º turno. A diferença está no caminho.

Lula deve apostar na experiência de quem já governou o país em três mandatos e no contraste com um adversário que nunca ocupou cargo no Poder Executivo. A ideia é adotar um tom mais propositivo, mostrar realizações e propostas para um novo mandato e evitar que o debate fique preso a acusações. O desafio é responder aos ataques sem perder o foco na própria agenda.

Flávio quer se apresentar como um candidato moderado, capaz de confrontar o presidente sem parecer agressivo. Segundo informações de bastidores, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), ganhou mais espaço na preparação. A campanha quer evitar provocações e ataques pessoais e rebater a ideia de que o senador não estaria preparado para governar.

O que ficou do debate anterior

No debate da Band, em 18 de outubro, os dois trocaram acusações sobre corrupção e envolvimento de familiares e aliados, e as propostas concretas ocuparam pouco espaço. Flávio explorou perguntas sobre a lobista Roberta Luchsinger; Lula questionou a relação do adversário com Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master. A expectativa das duas campanhas é de um confronto com mais espaço para propostas desta vez.

Leitura do Jogo Político

Com as pesquisas registradas mostrando a disputa dividida ao meio e pouquíssimos eleitores indecisos, o debate da Globo dificilmente vai virar votos em massa. O peso dele está em outro lugar: no clima dos dois últimos dias, nos cortes que vão circular nas redes no sábado e na motivação de quem ainda pensa em não sair de casa no domingo. Um erro grave pode custar caro; uma boa noite pode animar a militância na reta final.

Para a Paraíba, vale prestar atenção no bloco das regiões. É ali que o Nordeste, onde Lula venceu nos 223 municípios paraibanos no 1º turno, pode ganhar espaço direto na fala dos dois candidatos.

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