
A defesa do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) levou ao Supremo Tribunal Federal (STF) três pedidos contra as medidas impostas a ele no inquérito que apura suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas envolvendo empresas ligadas ao advogado Willer Tomaz e ao setor de apostas. O ponto central é a relatoria: os advogados querem que o ministro Alexandre de Moraes deixe o caso.
Os pedidos foram protocolados na sexta-feira (30) e ainda aguardam análise.
O que a defesa pede
Dois pedidos foram encaminhados ao presidente do STF, ministro Edson Fachin. Eles questionam a permanência de Moraes na relatoria e pedem que o ministro seja declarado impedido ou suspeito para conduzir o caso.
O terceiro pedido foi dirigido ao próprio Moraes e solicita a revogação das medidas cautelares. A defesa quer:
- a devolução dos passaportes brasileiros e estrangeiros do senador;
- o fim da proibição de deixar o país;
- a revogação da restrição de contato com o advogado Willer Tomaz;
- a transferência do caso para o ministro André Mendonça, que já cuida de processos relacionados a Tomaz.
Os argumentos
Para sustentar o pedido de afastamento, os advogados citam possíveis ligações entre uma empresa investigada e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro, além do uso de uma aeronave associada a essa empresa pelo casal.
Sobre o mérito, a defesa afirma que informações do banco Santander mostram que Flávio não era sócio das empresas investigadas nem titular ou usuário das contas delas.
Como o caso chegou até aqui
No domingo (25), Moraes atendeu a um pedido da Polícia Federal (PF), que apontava risco de o senador deixar o Brasil, e determinou a apreensão dos passaportes de Flávio, a proibição de saída do país e a restrição de contato com outros investigados.
Na quarta-feira (28), Flávio viajou com a esposa e as duas filhas para a Flórida, nos Estados Unidos. A PF cancelou os passaportes comum e diplomático do senador, informou não ter encontrado registro oficial da saída nos postos de imigração e abriu apuração sobre o descumprimento das ordens judiciais.
Segundo a PF, as investigações reuniram registros de viagens, contatos e possíveis vínculos financeiros entre os investigados, e o nome do senador apareceu nesses levantamentos.
Próximos passos
Cabe a Fachin analisar a arguição de impedimento e suspeição. Enquanto isso, Moraes segue como relator e as medidas cautelares continuam valendo. O mandato de Flávio no Senado vai até 31 de janeiro de 2027.
Leitura do Jogo Político
Com o senador fora do país, a disputa jurídica se concentra em quem conduz o caso. A decisão sobre a relatoria tende a definir o ritmo do inquérito e o espaço da defesa para rever as cautelares, num momento em que o PL reorganiza sua estratégia para 2027.