
A reeleição de Hugo Motta (Republicanos-PB) à Presidência da Câmara dos Deputados ganhou uma conta que impressiona no papel. Os partidos que já fecharam apoio ao paraibano somam 338 deputados eleitos para a legislatura que começa em fevereiro de 2027, segundo levantamento publicado neste domingo (1º) pelo Poder360.
O número fica 81 votos acima dos 257 necessários para vencer no primeiro turno, caso os 513 deputados compareçam à votação.
Quem está no bloco de Motta
A aliança reúne partidos de perfis distintos. Do Centrão, estão Republicanos, partido do próprio Motta, PP, União Brasil, PSD, MDB e Podemos. Também aderiram as federações PSDB-Cidadania e Solidariedade-PRD.
No campo da esquerda, a federação formada por PT, PCdoB e PV anunciou apoio por unanimidade no fim de outubro. PSB e PDT já haviam declarado voto no paraibano dias antes.
PL, a maior bancada, segue fora
O PL elegeu a maior bancada da Câmara, com 121 deputados, mas até agora não integra a articulação. A federação PT-PCdoB-PV aparece como a segunda maior força da Casa, com 88 parlamentares.
Ficar de fora do bloco tem peso prático. A divisão de cargos na Mesa Diretora e o comando das comissões seguem o tamanho das bancadas e dos blocos formados para a eleição. Na disputa de 2025, Motta foi eleito com 444 votos, em uma coalizão que reunia PT e PL ao mesmo tempo.
Votação será secreta
A eleição da nova Mesa está marcada para 1º de fevereiro de 2027 e ocorre por voto secreto. Por isso, o apoio formal das legendas não garante automaticamente o voto de cada deputado na urna.
Até lá, a negociação deve se concentrar na distribuição de espaços na Mesa e nas comissões permanentes, ponto que costuma definir a fidelidade das bancadas no dia da votação.
Leitura do Jogo Político
Com folga numérica rara a três meses da votação, Motta chega à reta final em posição confortável e com uma base que atravessa governo e oposição. O desafio passa a ser transformar o apoio no papel em votos na urna secreta e acomodar aliados sem abrir dissidências.
Para o PL, a decisão até fevereiro é estratégica: aderir ao bloco e disputar espaços na Mesa ou lançar candidatura própria e marcar posição como principal força de oposição na Câmara. Para a Paraíba, a manutenção de um paraibano no comando da Casa segue como trunfo político relevante para o estado.