Paraná e Santa Catarina: Referências em Gestão Pública e Controle de Gastos
Em um cenário nacional marcado por debates sobre equilíbrio fiscal e a preocupação com o desperdício de recursos públicos, dois estados do Sul emergem como exemplos de boa gestão. Paraná e Santa Catarina apresentaram indicadores que reforçam a importância do controle de gastos e da execução orçamentária como ferramentas cruciais para a administração pública.
Enquanto o governo federal enfrenta desafios com déficits e aumento da dívida pública, esses estados sulistas demonstram modelos de eficiência que podem servir de inspiração. A capacidade de gerenciar recursos de forma inteligente não apenas fortalece as finanças estaduais, mas também impulsiona o desenvolvimento econômico e a qualidade de vida da população.
A má gestão pública no Brasil gera um desperdício anual estimado em US$ 68 bilhões, segundo o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Essa cifra alarmante, que representa entre 4% e 20% do PIB, evidencia a urgência de modelos de administração mais eficientes, como os que estão sendo implementados com sucesso no Paraná e em Santa Catarina.
Paraná: Inteligência Financeira e Caixa Livre para Investimentos
O Paraná tem se destacado por sua gestão financeira exemplar, alcançando 93% de execução orçamentária no último ano. O secretário da Fazenda, Norberto Ortigara, enfatiza a importância da “inteligência financeira” para manter as contas equilibradas e converter a eficiência em investimentos concretos. O estado possui a maior disponibilidade de caixa livre do Brasil, superando R$ 10 bilhões, o que lhe permite não aderir a programas federais de renegociação de dívidas, preservando sua autonomia fiscal.
Essa solidez financeira permitiu ao Paraná realizar investimentos significativos em infraestrutura rodoviária, com a ampliação de duplicações e fortalecimento da malha rural, além de destinar R$ 1,5 bilhão para compra de maquinário para municípios. Na educação, o estado investiu R$ 19,2 bilhões, acima do mínimo constitucional. Esses números refletem diretamente na economia real, com o PIB paranaense projetado para atingir R$ 835 bilhões em 2026, consolidando-o como a quarta maior economia do país.
A taxa de desocupação no Paraná está em 3,2%, próxima ao pleno emprego, e o programa estadual “Paraná Competitivo” atraiu mais de R$ 300 bilhões em investimentos nos últimos sete anos, fortalecendo cadeias produtivas estratégicas como o agronegócio e o polo automotivo.
Santa Catarina: Foco em Gasto Eficiente e Redução da Burocracia
Santa Catarina, por sua vez, sustenta um baixo nível de endividamento e foca na qualificação do gasto público. O secretário de Planejamento, Fabrício Oliveira, defende que o debate nacional deve ir além do “gastar menos” e concentrar-se em “gastar melhor”. Ele ressalta que modelos administrativos ultrapassados dificultam a entrega de serviços compatíveis com a carga tributária elevada.
O estado implementou metas voltadas à eficiência administrativa, incluindo a recuperação de receitas por meio da revisão de benefícios fiscais e combate à sonegação, com potencial de R$ 2,1 bilhões anuais. Além disso, uma revisão de despesas administrativas e da folha de pagamento projeta uma economia de R$ 2,2 bilhões por ano, com a meta de reduzir em até 40% a burocracia em transferências e processos internos.
Santa Catarina apresenta uma das menores taxas de desemprego do país, 2,3%, e se destaca pela segurança pública e pelo ambiente favorável aos negócios. O estado tem liderado a migração interestadual, um reflexo da confiança em seu ambiente econômico e institucional. A estratégia catarinense baseia-se em diagnósticos precisos, metas claras e acompanhamento constante da execução, com incentivos fiscais para áreas como inovação e tecnologia.
O Contraste Nacional: Ineficiência e Desperdício Bilionário
O cenário apresentado pelo Paraná e Santa Catarina contrasta fortemente com a realidade nacional. Segundo o BID, a ineficiência na gestão pública brasileira resulta em um desperdício anual de aproximadamente US$ 68 bilhões. Essa perda de recursos significa menos investimentos em áreas essenciais como saúde, educação e infraestrutura, impactando diretamente a vida dos cidadãos.
A má alocação de recursos, a burocracia excessiva e modelos administrativos defasados são apontados como os principais entraves. Enquanto os estados do Sul buscam otimizar seus gastos e qualificar a aplicação dos recursos, o debate em nível federal ainda gira em torno do aumento de despesas obrigatórias e do crescimento da dívida pública, levantando questionamentos sobre a sustentabilidade das contas da União.
A Importância da Gestão Pública Eficiente para o Desenvolvimento
A experiência do Paraná e de Santa Catarina demonstra que a gestão pública eficiente não é apenas uma questão de controle de gastos, mas um pilar fundamental para o desenvolvimento econômico e social. Ao garantir a correta aplicação dos recursos, os governos estaduais conseguem não só manter suas finanças saudáveis, mas também criar um ambiente propício para investimentos, geração de empregos e melhoria dos serviços públicos.
A adoção de práticas como a centralização financeira, o controle de custeio e a ampliação da eficiência administrativa, como defendido pelas secretarias de Fazenda e Planejamento desses estados, são caminhos essenciais para combater o desperdício bilionário e construir um futuro mais próspero e equitativo para o Brasil.