Temer descarta candidatura e aconselha Lula a “abrir espaço” para novas lideranças em 2026
O ex-presidente Michel Temer, aos 85 anos, descartou veementemente qualquer possibilidade de concorrer novamente à presidência da República em 2026. Em entrevista recente, ele sugeriu que o atual presidente, Luiz Inácio Lula da Silva, também deveria considerar não buscar a reeleição, argumentando que o Brasil precisa de novas lideranças para superar o clima de tensão institucional.
A declaração surge após especulações de que aliados de Temer o incentivariam a disputar as eleições, visando quebrar a polarização entre os apoiadores de Lula e do ex-presidente Jair Bolsonaro. No entanto, Temer foi enfático: “De jeito nenhum. Se tivesse dez anos a menos eu até aceitaria o desafio”, afirmou.
Temer também criticou a atual conjuntura política, apontando para uma “completa disfuncionalidade institucional”. Segundo ele, essa situação decorre de um afastamento dos Três Poderes dos princípios estabelecidos pela Constituição, resultando em um ambiente de confrontos permanentes e dificuldade de diálogo. A informação é do jornal Folha de S. Paulo.
Críticas à “disfuncionalidade institucional” e ao “ódio pessoal”
O ex-presidente destacou que o preâmbulo da Constituição prevê “a solução pacífica das controvérsias”, um princípio que, em sua visão, tem sido deixado de lado na prática política. A lógica predominante, segundo Temer, tornou-se o conflito constante, onde divergências são tratadas com hostilidade e agressividade, impedindo a construção de consensos.
“A oposição é essencial, mas o ódio pessoal é, além de dispensável, nocivo porque impede a construção de consensos em meio ao dissenso, que é o cerne da política, condutora dos atos e, sobretudo, dos avanços no estado de direito”, pontuou Temer, ressaltando que o discurso público de pacificação contrasta com atitudes que alimentam a divisão.
Proposta de “receita simples” para a estabilidade institucional
Para Temer, o Brasil só sairá desse cenário de tensões se tiver um presidente com capacidade de unir forças divergentes em torno de um projeto comum. Ele criticou também setores da oposição que adotam uma estratégia de confronto permanente, contribuindo para a paralisia política e o prejuízo ao funcionamento das instituições.
Como solução para o impasse político, o ex-presidente voltou a citar a própria Constituição como guia. Ele mencionou especificamente o artigo 1º, que trata da autonomia e harmonia entre os Poderes, e o artigo 37, que estabelece os princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade, transparência e eficiência para os agentes públicos.
“Aí temos uma receita simples e infalível”, concluiu Temer, defendendo que o país retorne à orientação pelos princípios constitucionais para reduzir as tensões políticas e recuperar a estabilidade institucional, abrindo caminho para **novas lideranças** e um futuro mais pacífico para o Brasil.