Arte do Jogo Político PB com Hugo Motta: fim da escala 6x1 é promulgado e escala 5x2 começa em 60 dias

Fim da 6×1 é promulgado: escala 5×2 começa em 60 dias; veja o que muda

Fim da 6x1 promulgado: escala 5x2 começa em 60 dias e jornada cai para 40 horas sem corte de salário. Mais de 135 mil paraibanos são afetados.

Resumo

Hugo Motta, presidente da Câmara, na promulgação do fim da escala 6x1

Agora está na Constituição. O Congresso Nacional promulgou nesta sexta-feira (16), em Brasília, a emenda que acaba com a escala de trabalho 6×1 — seis dias de trabalho para um de folga. A sessão solene foi conduzida pelo presidente do Congresso, Davi Alcolumbre, e teve a presença do presidente Lula e do presidente da Câmara dos Deputados, o paraibano Hugo Motta (Republicanos).

A proposta havia concluído a tramitação no Senado na quarta-feira (14), aprovada por 75 votos a 1. Na mesma sessão desta sexta, o Congresso também promulgou a emenda que garante aposentadoria especial aos agentes comunitários de saúde.

O que muda e quando

A mudança será gradual. Em 60 dias a partir da promulgação, passa a valer a escala 5×2, com dois dias de descanso por semana, e o limite da jornada cai de 44 para 42 horas semanais. Doze meses depois, o teto desce para 40 horas. A transição completa leva cerca de 14 meses e não permite redução de salário.

Ao fim desse período, a regra geral será de até 8 horas por dia e 40 horas por semana, distribuídas em cinco dias, com pagamento de hora extra para o que passar disso. Na fase intermediária, com 42 horas, as empresas precisarão redistribuir as duas horas a mais ao longo dos cinco dias trabalhados.

Exceções previstas no texto

A emenda abre algumas brechas. Setores com regime especial poderão compensar o trabalho em sábados ou domingos, desde que garantam, em média, dois dias de descanso remunerado por semana dentro do mesmo mês. Acordos e convenções coletivas também poderão, de forma excepcional, prever outras escalas, como a própria 6×1, desde que a folga seja compensada no mesmo mês.

Trabalhadores com curso superior e salário a partir de R$ 21.188,87 poderão negociar a jornada diretamente com o empregador, mantida a escala 5×2. Empresas terceirizadas que prestam serviço ao poder público terão 12 meses, e não 60 dias, para se adaptar. Uma lei complementar poderá criar regras de transição para MEIs, micro e pequenas empresas.

Impacto na Paraíba

Segundo dados do Ministério do Trabalho e Emprego, mais de 135 mil paraibanos com carteira assinada trabalham hoje na escala 6×1. São eles os primeiros a sentir a mudança, sobretudo no comércio e nos serviços, onde esse modelo é mais comum.

A bancada da Paraíba no Senado votou a favor da proposta: Daniella Ribeiro (PP), Efraim Filho (PL) e Veneziano Vital do Rêgo (MDB) registraram voto “sim” na votação de quarta-feira.

O discurso de Hugo Motta

Na solenidade, Hugo Motta destacou o papel da Câmara na construção do texto. “Hoje o Congresso escreve na Constituição dois importantes compromissos com os trabalhadores”, afirmou. Ele lembrou que a comissão percorreu as cinco regiões do país e ouviu mais de 3 mil pessoas entre trabalhadores, especialistas, sociedade civil e setor produtivo.

“Durante muito tempo a jornada de trabalho foi tratada como uma discussão econômica. Mas o Brasil compreendeu que esta é também uma discussão social, que envolve saúde, produtividade e qualidade de vida”, disse o presidente da Câmara. Motta também pediu que Lula sancione, até a próxima semana, o projeto que amplia o limite de faturamento do MEI, como parte de um acordo com o governo.

Leitura do Jogo

A promulgação coroa uma das pautas de maior apelo popular da legislatura e coloca Hugo Motta como um dos rostos da mudança. Para o paraibano, que articula a recondução à presidência da Câmara em 2027, o resultado reforça a imagem de condutor de grandes acordos entre governo, oposição e setor produtivo.

Para o governo Lula, a emenda vira bandeira em plena reta final do segundo turno. Já para empresários paraibanos, a contagem regressiva começa agora: são 60 dias para reorganizar escalas e, em pouco mais de um ano, adaptar-se às 40 horas semanais.

Foto: Câmara dos Deputados

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