O quase desmaio em 2016 e a ascensão de Flávio Bolsonaro rumo a 2026
Em 2016, o cenário eleitoral carioca foi palco de um momento que repercutiu nacionalmente: o quase desmaio de Flávio Bolsonaro durante um debate para prefeito do Rio de Janeiro. A imagem, que rodou as redes sociais, ressurge agora com a confirmação de sua pré-candidatura à Presidência em 2026, gerando comparações e questionamentos sobre sua capacidade de enfrentar os desafios políticos atuais.
Naquele debate, Flávio Bolsonaro foi amparado por oponentes após um silêncio prolongado, um episódio que, apesar da repercussão, não foi considerado determinante para o resultado eleitoral. Ele obteve 14% dos votos válidos no primeiro turno, ficando em quarto lugar. A eleição para a prefeitura do Rio de Janeiro marcou sua única derrota nas urnas até então.
De lá para cá, Flávio Bolsonaro consolidou sua carreira política, sendo eleito deputado estadual por quatro mandatos consecutivos e, posteriormente, senador em 2018. A candidatura à prefeitura do Rio, em 2016, foi vista pela família como um teste estratégico para expandir a marca Bolsonaro e obter recursos para futuras campanhas, objetivo que se concretizou com a eleição de Jair Bolsonaro à Presidência em 2018.
A estratégia por trás da candidatura de 2016 no Rio
A candidatura de Flávio Bolsonaro à prefeitura do Rio de Janeiro em 2016 foi, na verdade, uma jogada calculada pela família. Na época, Jair Bolsonaro, ainda um deputado com menor projeção, buscava consolidar sua imagem como oposição e já se preparava para uma futura disputa presidencial. Flávio, com quatro mandatos de deputado estadual, ainda não tinha a mesma visibilidade nacional de seu pai e irmão Eduardo Bolsonaro.
O objetivo principal não era necessariamente vencer a eleição, mas sim introduzir o sobrenome Bolsonaro em uma disputa majoritária, testar o eleitorado e, como relatou o marqueteiro Alexandre Borges na época, “ganhar novos eleitores”. Jair Bolsonaro, em declarações após o primeiro turno, destacou o bom resultado de Flávio, que obteve o quarto lugar sem alianças, como um indicativo do crescimento da marca familiar.
A transformação da família Bolsonaro e a indicação para 2026
Em oito anos, o cenário político se transformou drasticamente. Jair Bolsonaro perdeu a reeleição em 2022 e enfrenta condenações judiciais. Eduardo Bolsonaro teve seu mandato cassado e se mudou para os Estados Unidos. Flávio Bolsonaro, por outro lado, manteve um perfil mais discreto e moderado, características que ele mesmo reconhece.
Essa postura mais conciliadora o credenciou, aos olhos de Jair Bolsonaro, para ser o indicado à pré-candidatura presidencial em 2026. A escolha, anunciada em dezembro passado, surpreendeu alguns setores que preferiam nomes como Tarcísio de Freitas ou Ratinho Junior, mas foi rapidamente endossada por lideranças da direita e pelo eleitorado.
Flávio Bolsonaro: o “herdeiro político” com discurso moderado
A indicação de Flávio Bolsonaro para a disputa presidencial de 2026 foi formalizada por Jair Bolsonaro através de uma carta, onde o ex-presidente citou a “injustiça” contra ele e a “vontade popular silenciada”. Essa decisão recebeu apoio de figuras importantes da direita, como Ciro Nogueira, que o chamou de “herdeiro político”, e Michelle Bolsonaro, que desejou sucesso em sua “nova missão pelo Brasil”.
Pesquisas recentes indicam uma **redução significativa da vantagem de Lula sobre Flávio Bolsonaro** nas simulações de segundo turno. Em dezembro de 2025, a diferença era de 15 pontos percentuais, caindo para 3 pontos em março de 2026, o que configura um empate técnico. Esse cenário mostra a rápida consolidação de Flávio Bolsonaro como o principal nome da direita na disputa presidencial, em um caminho que começou com um quase desmaio em um debate carioca há uma década.
O peso das pesquisas e a confiança no eleitorado
A projeção de Flávio Bolsonaro como pré-candidato presidencial em 2026 tem sido validada por dados recentes. A pesquisa Datafolha, realizada em março de 2026, aponta um cenário de empate técnico com Luiz Inácio Lula da Silva, com 51% para Lula contra 36% para Flávio, uma diferença de 15 pontos percentuais. Três meses antes, em dezembro de 2025, a mesma pesquisa indicava 51% para Lula e 36% para Flávio, uma diferença de 15 pontos.
A queda na diferença percentual, segundo a pesquisa Datafolha de março de 2026, indica um **crescimento notável da candidatura de Flávio Bolsonaro**. A margem de erro de 2 pontos percentuais em ambas as pesquisas sugere que Flávio tem potencial para disputar a eleição em igualdade de condições, demonstrando a força do eleitorado de direita e a confiança depositada nele após sua trajetória política, que inclui a eleição para senador com expressiva votação em 2018.