
O governador reeleito Lucas Ribeiro (PP) decidiu colocar o pé no freio na corrida pela presidência da Assembleia Legislativa da Paraíba (ALPB). Em entrevista a uma rádio no fim de semana, ele classificou como “precipitado” o início das articulações para a eleição da próxima Mesa Diretora e avisou que só vai entrar de fato nas conversas depois do segundo turno, marcado para 25 de outubro.
Até lá, segundo o próprio governador, a prioridade é a campanha de reeleição do presidente Lula (PT) no estado. “A gente tem que ter calma”, resumiu.
Deputados já se movimentam
Mesmo com o pedido de paciência, a disputa já começou nos bastidores. Os deputados estaduais Eduardo Carneiro (PP) e Wilson Filho (Republicanos) procuraram Lucas para tratar da eleição interna da Casa, o que mostra que o tema já ocupa a agenda da base governista.
O governador reconheceu que é difícil segurar o relógio. Na avaliação dele, quando um nome se lança, os demais não ficam parados, e ninguém consegue fazer um acordo para que o jogo só comece em determinado mês. Ainda assim, Lucas deixou claro que pretende participar da decisão junto com os deputados — mas depois da “virada” do segundo turno.
Por que a Mesa importa
A presidência da Assembleia é um dos postos mais estratégicos da política paraibana. Quem comanda a Mesa Diretora controla a pauta de votações, a relação institucional com o Palácio da Redenção e boa parte da articulação entre os 36 deputados estaduais. Para um governador que inicia um novo mandato em 2027, ter uma Mesa alinhada significa mais previsibilidade na aprovação de projetos, orçamento e reformas.
Por isso, a escolha costuma passar pelo Executivo. A sinalização de Lucas é de que ele quer conduzir esse processo pessoalmente, ouvindo a bancada aliada antes de qualquer definição sobre nomes e composição da Mesa.
Leitura do Jogo Político
O recado do governador tem duas camadas. A primeira é de foco: com o segundo turno presidencial em curso e Lucas à frente da campanha de Lula na Paraíba, abrir agora uma disputa interna na base poderia gerar desgaste e dividir energias justamente na reta final.
A segunda é de comando. Ao dizer que quer participar da escolha “junto com os deputados”, Lucas se coloca como o árbitro natural do processo e evita que a sucessão na ALPB seja resolvida antes de ele entrar na conversa. Na prática, os pré-candidatos à presidência da Casa continuam se movimentando, mas sabem que o martelo só será batido depois de 25 de outubro — e com o aval do Palácio.
A tendência é que, passada a eleição presidencial, o tema volte com força à agenda política do estado, junto com a montagem do secretariado para o novo mandato, que o próprio governador já admitiu estar avaliando.