
A cinco dias do 2º turno, marcado para domingo (25), a transparência virou mais um ponto de disputa entre os candidatos à Presidência. O presidente Lula (PT) anunciou que vai entregar ao presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) uma autorização para que sejam abertos os seus sigilos bancário e telefônico e também os de seus cinco filhos. Em seguida, desafiou o senador Flávio Bolsonaro (PL) a fazer o mesmo.
O que Lula propôs
O anúncio foi feito na segunda-feira (19), durante agenda de campanha em Porto Alegre (RS). Segundo Lula, a autorização seria levada ao TSE nesta terça-feira (20). Ele pediu que Flávio também libere os dados das próprias empresas e da família.
A proposta veio depois do debate da Band, no domingo (18), em que os dois trocaram acusações. Lula voltou a questionar a compra de um imóvel por Flávio, tema que a campanha do PT tem explorado na reta final. Até a publicação desta matéria, Flávio não havia dito se aceita o desafio.
Bancada paraibana se divide
Na Paraíba, o assunto dividiu políticos dos dois lados. O deputado federal Cabo Gilberto Silva (PL), aliado de Flávio, avaliou que não faz sentido aceitar a proposta. Segundo ele, Flávio já foi alvo de investigações no passado, e a iniciativa de Lula seria uma tentativa de enganar o eleitor.
Já o senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB), que apoia Lula, disse não se surpreender com a falta de resposta de Flávio. Para ele, o silêncio pode ser visto pelo eleitor como um sinal negativo e pesar contra o candidato do PL na reta final.
Por que o tema importa na reta final
As pesquisas registradas mais recentes mostram uma disputa apertada, com diferenças pequenas entre os dois candidatos e mais de 90% dos eleitores dizendo que o voto já está decidido. Nesse cenário, as campanhas buscam temas capazes de mexer com a faixa estreita de eleitores que ainda pode mudar de ideia ou decidir não votar.
Para a campanha de Lula, o desafio é uma forma de colocar o adversário na defensiva e associar a imagem do presidente à transparência. Para os aliados de Flávio, trata-se de um gesto de campanha, sem efeito prático, sobre um assunto que já foi investigado.
Leitura do Jogo Político
A abertura de sigilos não é obrigatória e depende da vontade de cada candidato. Por isso, o efeito do desafio é sobretudo político: quem propõe tenta ganhar a bandeira da transparência, e quem é desafiado precisa decidir entre aceitar, recusar ou ignorar, e cada escolha tem custo. Na Paraíba, a divisão entre Cabo Gilberto e Veneziano repete o que se vê no país: o tema reforça as convicções de quem já escolheu um lado. O que ainda está em aberto é se ele chega ao eleitor indeciso até domingo.