
O MDB da Paraíba deixou claro de que lado está no segundo turno da eleição presidencial. O diretório estadual, comandado pelo senador Veneziano Vital do Rêgo, assinou com outros nove estados uma nota de apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O movimento foi feito horas antes de um ato que buscava formalizar o alinhamento majoritário da legenda ao senador Flávio Bolsonaro (PL).
Quem assinou a nota
Além da Paraíba, assinaram o documento os diretórios do Amazonas, Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Pará, Pernambuco, Piauí e Rondônia — a maior parte deles no Nordeste. No texto, os dirigentes justificam a escolha citando o compromisso com o desenvolvimento econômico, a geração de emprego e renda, a redução das desigualdades e a continuidade de programas federais como Bolsa Família, Pé-de-Meia e Farmácia Popular.
O racha nacional
Do outro lado está a articulação conduzida pelo prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, com apoio do vice-governador paulista Felício Ramuth, recém-filiado ao MDB, que trabalha para levar o partido para o palanque de Flávio Bolsonaro. A manifestação dos dez diretórios expõe a divisão interna da legenda e mostra que o comando nacional não tem controle sobre as bases regionais.
Em sessão no Senado, Veneziano afirmou que não poderia acompanhar a posição defendida por setores do partido e que apenas reafirma o apoio já dado a Lula no primeiro turno.
Daniella e Veneziano do mesmo lado
A cena se repetiu com a senadora Daniella Ribeiro (PP). Mesmo com o PP também alinhado nacionalmente a Flávio, ela foi à tribuna na terça-feira (13) para defender a reeleição de Lula. Evangélica, Daniella pediu que os fiéis não tratem nenhum candidato como objeto de devoção e que avaliem o histórico de trabalho e o compromisso democrático de cada um. Ela também relembrou a condução da pandemia de Covid-19 pelo governo anterior.
Daniella e Veneziano chegaram a protagonizar momentos de tensão na disputa pelo Senado no primeiro turno, quando ela integrou como primeira suplente a chapa de Nabor Wanderley. No segundo turno, porém, os dois convergem: ambos estiveram com Lula desde o início da campanha e mantêm essa posição agora.
Leitura do Jogo Político
O mapa dos diretórios que apoiam Lula coincide com a região onde o presidente tem seu maior desempenho eleitoral. Para lideranças nordestinas, acompanhar a cúpula nacional significaria remar contra o próprio eleitorado e desmontar alianças locais construídas no primeiro turno.
Na Paraíba, a posição do MDB consolida um palanque amplo pró-Lula, que já reunia PT, PSB e lideranças do PP. Para o lado de Flávio, a divisão também vira argumento: a campanha pode explorar o apoio formal da maior parte do partido no plano nacional. Até o dia 25, o racha emedebista deve seguir como munição de discurso para os dois lados.