A Paraíba já sabe quem vai representá-la no Senado Federal pelos próximos oito anos. Nas eleições de 4 de outubro, o ex-governador João Azevêdo (PSB) e o senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB) conquistaram as duas vagas em disputa. Os mandatos começam em 1º de fevereiro de 2027 e vão até 31 de janeiro de 2035.
O Jogo Político preparou um guia para você conhecer os dois eleitos, entender como foi a disputa e saber o que cada um defendeu na campanha. Os números são do resultado oficial do 1º turno divulgado pela Justiça Eleitoral.
O resultado em números
- João Azevêdo (PSB): 1.391.994 votos (32,50% dos votos válidos) – eleito
- Veneziano Vital do Rêgo (MDB): 974.550 votos (22,76%) – reeleito
- Nabor Wanderley (Republicanos): 895.398 votos (20,91%) – 3º lugar
Dez candidatos disputaram as duas cadeiras. Nesta eleição, cada eleitor votou em dois nomes, e as vagas ficaram com os dois mais votados. A segunda vaga foi decidida por uma diferença de 79.152 votos entre Veneziano e Nabor.
João Azevêdo (PSB): do Palácio da Redenção ao Senado
Quem é. Natural de João Pessoa, João Azevêdo tem 73 anos, é engenheiro civil e professor aposentado. Construiu a carreira no serviço público, passando por secretarias municipais e estaduais ligadas a infraestrutura, recursos hídricos, meio ambiente e ciência e tecnologia. Foi eleito governador da Paraíba em 2018, reeleito em 2022 e deixou o cargo em abril de 2026 para disputar o Senado. Será o primeiro mandato dele no Legislativo federal.
O que defendeu. Na campanha, João se apresentou como alguém que quer ser “o senador dos grandes projetos da Paraíba”. A aposta foi na experiência dos dois mandatos como governador e no argumento de que sabe onde buscar apoio em Brasília para tirar obras do papel. Entre os temas citados estão infraestrutura, água, saúde, educação, habitação, turismo e o desenvolvimento do Nordeste.
Prioridade no Senado. Depois de eleito, João apontou a segurança pública como tema central. Ele defende um sistema único de segurança, financiado com recursos garantidos na Constituição, e um papel mais forte do Governo Federal na coordenação das políticas da área. Também citou inovação, formação técnica, inteligência artificial e terras raras como pautas que pretende levar ao Senado.
Onde foi mais forte. João foi o candidato a cargo majoritário mais votado em João Pessoa, com 227.192 votos na capital. Os suplentes da chapa são Chico Mendes e Roberto Franca, ambos do PSB.
Veneziano (MDB): uma reeleição rara
Quem é. Natural de Campina Grande, Veneziano Vital do Rêgo tem 56 anos e é advogado. Foi vereador e prefeito de Campina Grande por dois mandatos, deputado federal e, em 2018, foi eleito senador pela primeira vez. Hoje ocupa uma das vice-presidências do Senado. Com a vitória, entra para a lista curta de senadores paraibanos que conseguiram a reeleição.
O que defendeu. A campanha de Veneziano destacou o trabalho de envio de emendas e recursos para os municípios, além de pautas de desenvolvimento regional, infraestrutura e mobilidade, recursos hídricos, transição energética, educação, saúde e proteção ao trabalhador.
O recado depois da vitória. Ao comemorar em Campina Grande, Veneziano agradeceu os votos, disse que vai “honrar cada voto no Senado Federal” e prometeu seguir “fazendo política com compromisso, coragem e dedicação”. Só na sua cidade natal, ele recebeu 116.826 votos.
Como fica a Paraíba no Senado em 2027
Cada estado tem três senadores, e a renovação acontece de forma alternada: em uma eleição são escolhidas duas vagas e, na seguinte, uma. Por isso, a bancada paraibana a partir de 2027 será formada por:
- Efraim Filho – eleito em 2022, segue com mandato até 2031;
- João Azevêdo – chega ao Senado na vaga que hoje é ocupada por Daniella Ribeiro (PP), que não disputou a reeleição;
- Veneziano Vital do Rêgo – reeleito, fica até 2035.
Leitura do Jogo Político
O eleitor dividiu o voto. O governador Lucas Ribeiro venceu no 1º turno com folga, mas a chapa governista não conseguiu eleger os dois senadores: João Azevêdo ficou com a primeira vaga, enquanto Nabor Wanderley, o segundo nome do grupo, terminou em terceiro. Do outro lado, Veneziano se manteve no cargo mesmo com a derrota do candidato do seu partido ao governo. É o retrato de um eleitor que escolheu nomes, e não apenas chapas.
O peso de Lula. Os dois eleitos tiveram o apoio do presidente Lula, que venceu na Paraíba no 1º turno com cerca de 61% dos votos válidos. A associação com o presidente ajudou tanto o candidato da chapa governista quanto o senador do MDB, que ganhou um vídeo de apoio de Lula durante a campanha.
Capital e Campina como base. João Azevêdo teve na capital o seu maior trunfo, enquanto Veneziano contou com a força tradicional em Campina Grande. As duas maiores cidades do estado seguem como peças decisivas na eleição majoritária.
Uma disputa apertada. A diferença de 79 mil votos entre Veneziano e Nabor mostra que a segunda vaga esteve em aberto até a reta final. Nabor, ex-prefeito de Patos, saiu da eleição com quase 900 mil votos, um capital político relevante para os próximos anos.
O que acontece agora
Os eleitos ainda passam pela diplomação na Justiça Eleitoral, etapa que confirma oficialmente o resultado. A posse dos novos senadores acontece em 1º de fevereiro de 2027. O Jogo Político vai acompanhar de perto a atuação dos dois em Brasília e o que eles entregarem para a Paraíba.
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