
O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, convocou os representantes jurídicos das campanhas de Lula (PT) e de Flávio Bolsonaro (PL) para uma reunião depois de uma sequência de decisões em sentidos opostos dentro da própria Corte. O motivo é o canal de WhatsApp “Exército do Lula”, criado pelo deputado federal André Janones para apoiar a reeleição do presidente.
A pauta do encontro, segundo informações divulgadas nesta terça-feira (13), é discutir as decisões recentes e reforçar a necessidade de preservar a imparcialidade da Justiça Eleitoral na reta final do 2º turno, marcado para 25 de outubro.
O vaivém sobre o canal
A disputa começou com uma ação da campanha de Flávio Bolsonaro, que pediu a suspensão do canal e a cassação do mandato de Janones. No sábado (10), o corregedor-geral eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, pediu informações complementares, mas não suspendeu o canal.
Em seguida, Kassio Nunes Marques atendeu a um pedido da campanha de Flávio e determinou que o WhatsApp tirasse o canal do ar. No domingo (11), Villas Bôas Cueva reverteu a ordem e mandou restabelecer o canal de forma provisória, até que o plenário do TSE analise o caso. A campanha de Flávio recorreu à presidência do tribunal 41 minutos depois.
O que disse a análise técnica
Na segunda-feira (12), um relatório da equipe técnica do TSE concluiu que não foram encontradas publicações falsas no canal. Os técnicos analisaram mensagens e vídeos publicados entre 2 e 11 de outubro e não localizaram as afirmações que estavam sendo questionadas.
O mesmo documento, porém, fez ressalvas: apontou “atuação coordenada” na disseminação de conteúdos ligados a Janones e uso frequente de linguagem polarizadora, o que, segundo a análise, pode prejudicar um ambiente de disputa saudável.
Desconforto na Corte
A troca de decisões entre a presidência e a corregedoria gerou desconforto entre integrantes do tribunal e levantou questionamentos sobre a condução do processo. A reunião com as duas campanhas é vista como uma tentativa de reduzir a tensão e evitar que o TSE vire, ele próprio, tema central da campanha nos últimos dias.
Não foram divulgadas a data e o formato exatos do encontro. A palavra final sobre o canal ficará com o plenário da Corte.
Leitura do Jogo Político
A 12 dias da votação, a briga em torno do “Exército do Lula” mostra como as redes e os grupos de mensagens se tornaram o principal campo de batalha do 2º turno. Para as campanhas, cada decisão judicial vira munição política: de um lado, o argumento de que houve censura; do outro, o de que há abuso na comunicação coordenada.
Para o TSE, o desafio é dar segurança jurídica e passar a imagem de uma Justiça Eleitoral unida. Na Paraíba, onde o 2º turno será apenas para presidente, o tema também mobiliza as bases de Lula e de Flávio, que concentram esforços nas redes e nas grandes cidades para a reta final.
Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil