
A disputa pelo comando do Congresso a partir de 2027 entrou de vez no tabuleiro do 2º turno presidencial, e a Paraíba tem interesse direto nela. Segundo bastidores divulgados pela imprensa nacional, o candidato do PL, Flávio Bolsonaro, avisou a líderes do Centrão que não pretende apoiar a recondução do deputado paraibano Hugo Motta (Republicanos) à presidência da Câmara dos Deputados, nem a de Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) no Senado.
O recado teria sido dado em conversas diretas e indiretas com dirigentes partidários, justamente no momento em que União Brasil, PP e Republicanos se aproximaram da candidatura de Flávio para a reta final da eleição, marcada para 25 de outubro.
Republicanos promete bancar Motta
Mesmo apoiando Flávio no 2º turno, o Republicanos deixou claro que não vai abandonar o seu principal quadro na Câmara. O presidente nacional da legenda, Marcos Pereira, afirmou que o partido apoiará a reeleição de Hugo Motta e vai buscar apoio em outras siglas, como PT, PSB, União Brasil e PP.
Ao mesmo tempo, Pereira admitiu que não conseguiu construir, nas conversas com o PL, um acordo favorável a Motta. Ou seja: o partido segue firme na defesa do paraibano, mas sem garantia prévia do candidato que ele próprio apoia na disputa presidencial.
A estratégia do PL
O PL saiu do 1º turno com a maior bancada da Câmara, com 121 deputados eleitos, e terá 28 senadores a partir de fevereiro de 2027. A prioridade do grupo de Flávio, segundo os relatos, é a presidência do Senado, para a qual o partido trabalha com o nome do senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha presidencial.
Na Câmara, a orientação seria deixar os partidos do Centrão escolherem internamente o sucessor de Motta, mas sob influência da bancada do PL. Nos bastidores, também circula a possibilidade de o PL lançar nome próprio, como o deputado Altineu Côrtes (RJ), ou abrir mão da Câmara em troca do Senado.
Motta, Lula e a Paraíba
Hugo Motta tem feito campanha aberta pela reeleição de Lula na Paraíba, alinhado ao governador reeleito Lucas Ribeiro, mesmo com a direção nacional do Republicanos no palanque de Flávio. Lula, por sua vez, já demonstrou simpatia por um novo mandato do paraibano no comando da Câmara.
Esse alinhamento ajuda a explicar a resistência do PL. A presidência da Câmara é um dos postos mais estratégicos da República: define a pauta de votações e é responsável por analisar pedidos de impeachment contra o presidente.
Leitura do Jogo Político
A resistência de Flávio, por si só, não tira Motta do páreo. A eleição da Mesa Diretora só acontece em fevereiro de 2027, e a correlação de forças vai depender do resultado de 25 de outubro. Com vitória de Lula, Motta ganha um aliado de peso no Palácio do Planalto. Com vitória de Flávio, o paraibano terá de reconstruir pontes com o PL e contar com o compromisso público do seu partido.
Em qualquer cenário, Motta segue como um dos principais articuladores do Congresso, com trânsito em diferentes campos políticos. O que mudou, segundo os bastidores, é que os grandes partidos do Centrão preferem não assumir compromissos antecipados enquanto a eleição presidencial não for decidida.
Para a Paraíba, a questão vai além da disputa partidária: manter um paraibano na presidência da Câmara significa influência direta sobre a pauta nacional e mais capacidade de atrair investimentos para o estado. O Jogo Político vai acompanhar os próximos movimentos.
Foto: Câmara dos Deputados