
A proposta que acaba com a escala 6×1 chega ao plenário do Senado nesta quarta-feira (14) com um dado curioso para quem acompanha a política paraibana: os três senadores do estado, de partidos que costumam estar em lados opostos, declararam apoio à mudança. Veneziano Vital do Rêgo (MDB), Efraim Filho (PL) e Daniella Ribeiro (PP) se posicionaram a favor da Proposta de Emenda à Constituição que substitui o modelo de seis dias de trabalho para um de descanso.
Como fica a votação
A PEC está na pauta da sessão marcada para as 14h. A expectativa é encerrar a última sessão de discussão obrigatória e abrir caminho para a votação em primeiro turno. Por se tratar de mudança na Constituição, o texto precisa do apoio de pelo menos 49 dos 81 senadores em cada um dos dois turnos de votação.
No mesmo dia, o governo tenta avançar também com a PEC da Segurança Pública, que passa antes pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), onde ainda há emendas pendentes de análise.
O que disse cada senador paraibano
Veneziano Vital do Rêgo, reeleito em 4 de outubro, reforçou a defesa da proposta em vídeo nas redes sociais. Para o emedebista, o fim da escala 6×1 representa avanço nas condições de trabalho e tem relação direta com saúde e dignidade. Ele também cobrou que cada parlamentar deixe clara sua posição, afirmando que a votação vai mostrar quem está ao lado do trabalhador.
Efraim Filho, que disputou o Governo da Paraíba, manteve o voto favorável que já havia anunciado durante os debates da campanha. O senador do PL avaliou que as novas articulações em torno da PEC tornam o caminho para aprovação mais fácil e classificou como “muito boa” a mudança de posição de Flávio Bolsonaro.
Daniella Ribeiro afirmou que votará a favor. Em junho, ela já havia defendido a mudança da tribuna do Senado, argumentando que o novo modelo dá ao trabalhador mais tempo para a vida pessoal e a convivência com a família.
O efeito Flávio Bolsonaro
O fato novo da semana foi o anúncio de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência no segundo turno, de que votará a favor da proposta. A declaração veio na terça-feira (13), após visita ao pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Até então, a pauta era identificada principalmente com o governo Lula e com partidos de esquerda.
Com a adesão do principal nome da oposição, a resistência dentro do PL tende a diminuir, o que facilita a vida de senadores como Efraim, que já defendiam o fim da escala, e amplia as chances de a PEC alcançar o quórum exigido.
Leitura do Jogo Político
A 11 dias do segundo turno, o fim da escala 6×1 deixou de ser bandeira exclusiva de um campo e virou disputa por protagonismo. Para os dois lados, ficar contra uma proposta de forte apelo popular às vésperas da eleição seria um custo alto demais.
No caso da Paraíba, a convergência entre MDB, PL e PP é rara: Veneziano e Daniella apoiam Lula, enquanto Efraim está alinhado a Flávio. Ver os três votando juntos reforça a leitura de que, nesta pauta, o cálculo eleitoral e a pressão das bases falaram mais alto que as diferenças partidárias. O resultado em plenário vai indicar se esse consenso se repete no restante do Senado.