
Dez dias depois de ser reeleito no primeiro turno, o governador Lucas Ribeiro (PP) mudou o tom de campanha para o de gestor e fez um aceno aos prefeitos que estiveram do outro lado na disputa estadual. “Acabou a eleição. Bandeiras se abaixam e a gente tem que trabalhar pelas pessoas, pelos paraibanos”, afirmou.
Lucas foi reconduzido ao Palácio da Redenção com 64,41% dos votos válidos — 1.233.120 votos, segundo o Tribunal Superior Eleitoral — e agora quer deixar a polarização da campanha para trás.
Recado para João Pessoa e Campina Grande
O gesto tem endereço certo. Os prefeitos das duas maiores cidades do estado apoiaram outros nomes ao governo: Leo Bezerra (PSDB), de João Pessoa, esteve ao lado do ex-prefeito Cícero Lucena (MDB), enquanto Bruno Cunha Lima (União Brasil), de Campina Grande, apoiou o senador Efraim Filho (PL).
Questionado se vai se reunir com os dois, o governador respondeu sem rodeios: “Eu não vou trabalhar apenas para quem é meu aliado.” A fala sinaliza que a relação do Estado com as prefeituras da capital e da Rainha da Borborema deve seguir o caminho institucional, independentemente do alinhamento político.
“Ritmo acelerado” até o fim do ano
Lucas também anunciou uma reunião com secretários e auxiliares para definir as prioridades dos últimos três meses de 2026, com a meta de acelerar ações e ampliar as entregas à população. “Ritmo acelerado, como eu sempre falei. De agora e nos próximos quatro anos esse vai ser o ritmo da nossa gestão”, disse.
Como exemplo desse ritmo, o governador citou a entrega de unidades habitacionais em Patos, na quinta-feira passada (8).
Leitura do Jogo
O discurso de unidade é um movimento clássico de quem sai das urnas fortalecido. Com uma vitória larga no primeiro turno, Lucas não precisa mais disputar espaço com os adversários locais e ganha mais a se apresentar como governador de todos — sobretudo nas duas cidades onde os prefeitos estiveram no palanque oposto.
Para Leo Bezerra e Bruno Cunha Lima, a porta aberta também interessa: obras, convênios e parcerias com o Estado pesam na gestão municipal. O teste prático dessa convivência deve vir nos próximos meses, com a agenda de investimentos do governo nas duas cidades e a montagem do novo secretariado para o segundo mandato.