
A uma semana do 2º turno, marcado para o domingo, 25 de outubro, o presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) ficaram frente a frente no debate promovido pela Band na noite deste domingo (18). Segurança pública, economia, saúde e acusações de parte a parte dominaram as cerca de duas horas de programa, que terminou em clima tenso, com gritaria entre as comitivas durante as considerações finais.
Segurança pública abriu o debate
Flávio Bolsonaro apostou no tema em que sua campanha se sente mais forte. Prometeu combater o que chamou de narcoterrorismo, retomar territórios dominados por facções e criar mais de meio milhão de vagas em presídios. No último bloco, defendeu a castração química para condenados por estupro e a redução da maioridade penal para 14 anos em crimes hediondos.
Lula respondeu com a lei antifacção, aprovada em seu governo, e a proposta de criar um Ministério da Segurança Pública. Também citou um programa de bloqueio de celulares roubados. Quando Flávio cobrou sua posição sobre as saídas temporárias de presos, o presidente defendeu a ressocialização.
Economia, renda e escala 6×1
No campo econômico, Flávio criticou o endividamento das famílias, prometeu ajudar a renegociar dívidas, manter o Bolsa Família e criar um Ministério da Prosperidade. Disse apoiar o fim da escala 6×1, desde que acompanhado de segurança jurídica e poder de compra. Lula defendeu o estímulo ao consumo, o apoio aos microempreendedores individuais e a valorização do salário mínimo e das aposentadorias, e ironizou o adversário ao dizer que ele conhece o trabalhador apenas “por literatura”.
Saúde e pandemia
Flávio propôs levar à rede pública um modelo inspirado em hospitais privados de referência, com prontuário único, telemedicina e uso de inteligência artificial. Lula questionou se a proposta significaria privatizar o SUS e lembrou o programa Mais Médicos. Ao falar da pandemia, o presidente criticou a gestão da Saúde no governo anterior; Flávio admitiu que a área não foi a melhor daquele governo, mas defendeu a atuação durante a crise.
Acusações e sigilos
Os embates mais duros vieram no tema da corrupção. Lula desafiou Flávio a abrir seus sigilos bancário e telefônico e estendeu a proposta às famílias dos dois: “Eu abro da minha família inteira e você abre da sua família”. Flávio respondeu que não tem “absolutamente nada a esconder” e acusou o petista de movimentar dinheiro fora das próprias contas. Os dois também trocaram críticas sobre aliados investigados e sobre a relação com os Estados Unidos.
Leitura do Jogo Político
Com as pesquisas registradas apontando empate técnico, o debate confirmou que as duas campanhas preferiram falar para os próprios eleitores a arriscar mudanças de rota. Flávio insistiu em segurança e endividamento, temas que dialogam com o eleitor de renda média e do Sudeste; Lula reforçou programas sociais, salário mínimo e saúde, agenda que sustenta sua vantagem no Nordeste e entre os mais pobres. Na Paraíba, onde Lula teve 61% dos votos no 1º turno, os dois palanques acompanharam o debate de olho na reta final. O próximo e último confronto está marcado para sexta-feira (23), na TV Globo, logo após o Jornal Nacional.