
A cinco dias do 2º turno, marcado para domingo (25), o Bolsa Família se tornou um dos principais assuntos da disputa entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). De um lado, o governo federal antecipou o pagamento de outubro, já com o reajuste de 15%. Do outro, uma fala da equipe econômica de Flávio sobre regras de saída do programa abriu uma troca de acusações entre as campanhas.
Pagamento antecipado e com reajuste
O calendário de outubro, que ia de 19 a 31, foi concentrado em três dias. Quem tem o NIS com final 1 recebeu na segunda-feira (19). O final 2 recebe nesta terça (20). Os finais 3 a 9 e 0 recebem na quarta-feira (21). A mudança também vale para novembro e dezembro.
Este é o primeiro pagamento com o reajuste de 15%: o valor mínimo por família passa a ser de R$ 691, e o valor médio, de R$ 777. Segundo o Ministério do Desenvolvimento Social, a unificação do calendário é uma medida excepcional diante dos efeitos do El Niño, que levou a 518 reconhecimentos federais de situação de emergência ou calamidade em agosto e setembro — mais que o dobro do mesmo período de 2025.
A polêmica dos “dois anos”
Na segunda (19), a coordenadora econômica da campanha de Flávio, Daniella Marques, ex-presidente da Caixa, disse em entrevista a uma rádio da Bahia que os beneficiários teriam dois anos para conseguir um emprego formal ou abrir um negócio, com retorno automático ao programa caso não desse certo. “As pessoas não podem ficar presas para sempre no Bolsa Família”, afirmou.
O PT publicou o trecho da entrevista nas redes, e o perfil de Lula compartilhou o conteúdo. Aliados do presidente ligaram a fala à promessa de Flávio de cortar gastos públicos e passaram a dizer que o programa estaria em risco.
O que diz Flávio
Em vídeo, Flávio negou que vá acabar com o programa ou limitá-lo a dois anos. Segundo ele, o prazo valeria apenas para quem conseguir emprego ou abrir uma empresa, que continuaria recebendo o benefício por até dois anos depois disso, como forma de transição. Se o emprego acabar ou o negócio não der certo, disse, o retorno ao programa seria automático. Ele acusou a campanha adversária de espalhar notícias falsas.
Desde o início da campanha, Flávio tem chamado o Bolsa Família de “direito adquirido” e defendido que o beneficiário que consegue emprego formal continue recebendo por um período, para não ter medo de assinar a carteira. A regra atual já prevê uma proteção parcial para famílias que passam do limite de renda.
Leitura do Jogo Político
O Bolsa Família tem peso decisivo no Nordeste, região onde Lula tem a maior vantagem, e na Paraíba, onde o programa alcança uma fatia grande das famílias. Para o governo, o pagamento antecipado e reajustado reforça a marca do programa na semana da eleição. Para Flávio, o desafio é conter o desgaste e convencer esse eleitor de que o benefício não está ameaçado. Em uma eleição apertada, a disputa pela narrativa sobre o programa pode pesar no voto de quem ainda não decidiu.