
Dois dias depois do segundo turno, a oposição ao presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se dividiu sobre como reagir ao resultado. Enquanto o PL, partido de Flávio Bolsonaro, reconheceu oficialmente a vitória de Lula, o senador manteve o discurso de contestação. Ao mesmo tempo, Flávio passou a ser alvo de novas medidas do Supremo Tribunal Federal.
O PL e Nikolas aceitam o resultado
Em nota assinada pelo presidente nacional, Valdemar Costa Neto, o PL afirmou reconhecer o resultado presidencial proclamado pelo Tribunal Superior Eleitoral. O partido disse, porém, que as dúvidas levantadas devem ser esclarecidas em um debate político equilibrado e democrático, e que seguirá atuando com independência.
O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) foi na mesma linha. Em vídeo nas redes sociais, afirmou que a chance de anular a eleição é praticamente nula e pediu que apoiadores não saíssem às ruas para protestar. Os principais partidos do Centrão, como MDB, União Brasil, Republicanos e PSD, também já reconheceram a vitória de Lula.
Flávio promete pedir a cassação da chapa
Flávio, que no domingo (25) havia dito que pediria a anulação do pleito, afirmou nesta segunda-feira (26) que vai acionar a Justiça Eleitoral para pedir a cassação da chapa de Lula por abuso de poder político e econômico. A campanha dele questiona a decisão do ministro Cristiano Zanin, do STF, que estendeu a votação até as 19h. O presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, afirmou que a prorrogação não causou problemas na totalização dos votos. Segundo levantamento divulgado pela imprensa, cerca de 34,3 mil votos foram registrados depois das 17h em todo o país.
Passaportes cancelados
Também na segunda-feira, o ministro Alexandre de Moraes, do STF, cancelou todos os passaportes em nome de Flávio, proibiu o senador de deixar o país e determinou que a Polícia Federal inclua um alerta migratório no sistema de controle de fronteiras. A decisão também proíbe qualquer contato de Flávio com o advogado e empresário Willer Tomaz, investigado por suspeita de lavagem de dinheiro e citado na apuração sobre descontos irregulares no INSS.
Flávio é investigado no STF em um inquérito relacionado ao filme Dark Horse. O senador disse que foi intimado pela PF ao sair da casa do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar em Brasília. Ele afirmou que vai entregar os documentos e que nunca pensou em deixar o país. Segundo Flávio, a medida teria sido motivada por uma declaração do irmão, Eduardo Bolsonaro, de que ele deveria sair do Brasil se perdesse a eleição — algo que o senador diz nunca ter dito.
O senador Efraim Filho (PL-PB) classificou a apreensão dos passaportes como “antidemocrática”, em entrevista à CNN.
Leitura do Jogo Político
A nota do PL e a fala de Nikolas mostram que a maior parte da oposição prefere virar a página da eleição e se organizar para o novo Congresso, onde o partido terá a maior bancada. Flávio mantém a contestação, mas agora precisa lidar também com as frentes abertas no Supremo. O desfecho dessas duas frentes vai definir o tamanho do papel dele na oposição a partir de 2027.