
A saída do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) do Brasil teve repercussão imediata entre os políticos paraibanos que estiveram ao lado dele na eleição presidencial. O deputado federal Cabo Gilberto Silva (PL) e o senador Efraim Filho (PL), que coordenou a campanha de Flávio na Paraíba, saíram em defesa do aliado, cada um à sua maneira.
Cabo Gilberto: “perseguido, não fugitivo”
Líder da oposição na Câmara dos Deputados, Cabo Gilberto usou as redes sociais na terça-feira (27) para dizer que, se Flávio realmente tivesse deixado o país, o apoio seria “total”. O deputado lembrou que o senador perdeu a eleição no domingo e que, logo em seguida, vieram a ordem de cancelamento dos passaportes, a proibição de sair do Brasil e a abertura de um inquérito sob sigilo, sem julgamento.
Para o parlamentar, os quase 60 milhões de votos recebidos por Flávio representam a oposição no país. “Em qualquer democracia, isso se chama oposição. Aqui, se chama alvo”, escreveu. Ele classificou o senador como perseguido, e não como fugitivo, e reafirmou o apoio em nome do PL e da oposição na Câmara.
Efraim vai ao PL “entender o cenário”
Já Efraim Filho foi à sede nacional do PL, em Brasília, assim que surgiram as informações sobre a viagem. Ao chegar, disse que a reunião com o presidente do partido, Valdemar Costa Neto, serviria para “entender todo o cenário”. O partido fez um encontro de emergência na tarde de terça.
Na segunda-feira (26), em entrevista à televisão, Efraim já tinha classificado como “antidemocrática” a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do STF, que mandou recolher o passaporte de Flávio. Na ocasião, ele propôs uma inversão de papéis: perguntou como seria se Flávio tivesse vencido e o lado derrotado tivesse o passaporte pedido por receio de deixar o país.
O que se sabe sobre a viagem
Na madrugada desta quarta-feira (28), a Migração da Argentina confirmou que Flávio entrou no país pela ponte entre Foz do Iguaçu e Puerto Iguazú, com a mulher e as filhas, e embarcou num jato particular para o Equador. Segundo sites de monitoramento de voos, a aeronave seguiu depois para Miami. Flávio é investigado no STF por suspeita de lavagem de dinheiro e nega irregularidades.
Leitura do Jogo Político
Os principais nomes do bolsonarismo paraibano mantêm a fidelidade a Flávio, mas o cenário muda. Com o candidato derrotado fora do país, a oposição na Paraíba terá de se reorganizar sozinha diante de um governo estadual reeleito no primeiro turno e de um eleitorado que deu a Lula 67% dos votos válidos no estado. O espaço de Cabo Gilberto e Efraim nesse novo arranjo vai depender de como o PL nacional conduzir o caso nas próximas semanas.
Foto: Câmara dos Deputados