
Passada a eleição, o governador Lucas Ribeiro (PP) quer transformar o capital político das urnas em dinheiro para obras e serviços. Reeleito no primeiro turno com mais de 64% dos votos válidos, ele articula o primeiro encontro do novo ciclo com a bancada federal da Paraíba no Congresso Nacional. A expectativa é que a reunião aconteça na segunda semana de novembro, ainda sem data fechada.
O objetivo é definir quais projetos prioritários do Estado entram no Orçamento da União por meio de emendas parlamentares, a principal ferramenta que deputados federais e senadores têm para direcionar recursos às suas bases.
Saúde no topo da lista
A pauta do governo tem a saúde pública como eixo. Entre os pedidos previstos estão recursos para o custeio da rede estadual e para equipar hospitais que estão em construção na Paraíba.
Três unidades aparecem na lista: o Hospital de Trauma do Sertão e os Hospitais da Mulher de Campina Grande e de Sousa. São obras de grande porte, que dependem de equipamentos caros para começar a funcionar, e por isso o reforço federal é considerado decisivo pelo Palácio da Redenção.
Quem está na mesa
A bancada paraibana no Congresso tem 15 integrantes: 12 deputados federais e 3 senadores. O grupo reúne aliados e adversários do governador, o que torna o encontro também um termômetro político do pós-eleição.
A bancada também tem peso fora do estado. O paraibano Hugo Motta preside a Câmara dos Deputados e caminha para disputar a reeleição em fevereiro de 2027, o que dá à Paraíba uma interlocução privilegiada em Brasília na discussão do Orçamento.
Como funcionam as emendas
Cada parlamentar tem direito a indicar uma parte do Orçamento da União por meio de emendas individuais. Além delas, as bancadas estaduais apresentam emendas coletivas, decididas em conjunto pelos deputados e senadores de cada estado. É nessa modalidade que governos costumam concentrar os pedidos para obras estruturantes, como hospitais e estradas.
O calendário pesa: o Congresso precisa votar o Orçamento de 2027 até o fim do ano, e as indicações de emendas costumam ser fechadas nas semanas seguintes à eleição. Por isso a pressa do governo em reunir a bancada ainda em novembro.
Leitura do Jogo Político
Ao chamar a bancada inteira, e não só os aliados, Lucas aposta em uma agenda que é difícil de recusar: dinheiro para hospitais. Para os parlamentares de oposição, negar apoio à saúde pública tem custo político alto. Para o governador, o encontro serve para abrir o segundo mandato com a imagem de quem já está trabalhando, e também para medir quem na bancada estará disposto a caminhar junto até 2028.