
A eleição que vai definir quem comanda o Senado a partir de 2027 ainda está a três meses de distância, mas a disputa já ocupa os corredores de Brasília. De um lado, Davi Alcolumbre (União-AP) busca a recondução com o apoio formal de União Brasil e PP. Do outro, a oposição tenta construir uma candidatura única capaz de reunir os 41 votos necessários entre os 81 senadores.
O apoio da federação e a resistência interna
A federação União Progressista, formada por União Brasil e PP, anunciou apoio à reeleição de Alcolumbre em nota assinada pelos presidentes dos dois partidos, Antonio Rueda e Ciro Nogueira. A decisão, porém, não pacificou as bancadas.
A senadora Tereza Cristina (PP-MS), líder do partido no Senado, respondeu que a escolha do próximo presidente depende do voto “livre, soberano e secreto” dos parlamentares. Ela lembrou que os 54 senadores eleitos e reeleitos em outubro ainda não foram diplomados e têm o direito de se manifestar no momento apropriado. Na quarta-feira (28), Tereza divulgou nova nota dizendo que os senadores do PP estão livres para decidir o voto.
O senador eleito Guilherme Derrite (PP-SP) também já avisou que não pretende seguir a orientação da federação.
Marinho ou Tereza: os nomes da oposição
Rogério Marinho (PL-RN), líder da oposição, e Tereza Cristina conversam para chegar a um nome de consenso. Marinho é o preferido do PL, que terá a maior bancada da Casa na próxima legislatura. Caso ele não consiga ampliar os apoios, Tereza aparece como alternativa. Outra hipótese discutida nos bastidores é Marinho disputar a presidência e Tereza assumir a Comissão de Constituição e Justiça.
O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, marcou uma reunião para a próxima quarta-feira, dia 4 de novembro, para discutir a formalização da candidatura.
Em 2023, Marinho perdeu a disputa para Rodrigo Pacheco, e o PL acabou fora dos principais cargos da Mesa. Por isso, parte do partido resiste a lançar um nome sem chances reais de vitória.
A conta dos votos
Segundo levantamentos de bastidores divulgados pela imprensa nacional, Alcolumbre diz contar com cerca de 48 votos, enquanto a oposição calcula que ele teria 38, três abaixo do mínimo. Nenhuma dessas estimativas é oficial, e o voto secreto torna qualquer cálculo incerto até o dia da eleição.
Pelas regras do Senado, qualquer senador pode se candidatar, mesmo sem o apoio do próprio partido. A votação está marcada para 1º de fevereiro de 2027, logo após a posse dos novos parlamentares.
Leitura do Jogo Político
Quem presidir o Senado terá nas mãos a pauta do início do quarto mandato de Lula, incluindo reformas, indicações de autoridades e a relação entre os Poderes. Alcolumbre larga com a vantagem de quem já está na cadeira e tem o apoio formal de dois grandes partidos. A oposição, por sua vez, aposta na bancada maior do PL e no voto secreto para virar o jogo. A reunião do PL no dia 4 deve mostrar se a candidatura única sai do papel.