
O governador Lucas Ribeiro (PP) exonerou nesta quinta-feira (29) o delegado Braz Morroni e o policial civil Eduardo do Egito dos cargos comissionados que ocupavam na Polícia Civil da Paraíba. Os dois estão presos e são investigados na Operação Perfidus, que apura a suspeita de participação de agentes públicos em um esquema de desvio de drogas. As exonerações foram publicadas no Diário Oficial do Estado.
Com a decisão, Braz Morroni deixa o comando de uma delegacia especializada de João Pessoa, e Eduardo do Egito perde a função de chefe de investigação. Ambos estão recolhidos na Penitenciária Especial do Valentina desde o cumprimento dos mandados judiciais.
O que investiga a Operação Perfidus
Segundo a investigação, o grupo é suspeito de se apropriar de carregamentos de drogas pertencentes a facções criminosas e revendê-los a grupos rivais, usando a estrutura policial para isso. O caso também envolve suspeitas de lavagem de dinheiro.
O Ministério Público da Paraíba já denunciou os policiais por improbidade administrativa, apropriação e desvio de drogas e lavagem de dinheiro. Um terceiro policial, conhecido como Everton “Bomba”, também é investigado, mas não ocupava cargo comissionado e, por isso, não foi alcançado pelas exonerações.
Exoneração não é expulsão
É importante separar as coisas: a exoneração retira apenas os cargos de confiança. Delegado e policial continuam vinculados à Polícia Civil, e a conduta deles é alvo de um procedimento administrativo, que pode levar a punições mais duras, inclusive a perda do cargo efetivo.
As acusações ainda dependem de apuração e de julgamento. Até lá, os investigados têm direito à defesa, e nenhuma condenação foi proferida.
Leitura do Jogo Político
Casos que envolvem policiais suspeitos de crimes costumam gerar desgaste direto para quem comanda a segurança pública. Ao assinar as exonerações logo após a prisão e a denúncia, o governo Lucas Ribeiro procura mostrar resposta rápida e marcar distância dos investigados, numa área que sempre pesa na avaliação dos governos estaduais.
O movimento acontece no início da transição para o novo mandato de Lucas, reeleito em outubro. A forma como o Estado vai conduzir o processo administrativo e a cooperação com o Ministério Público tende a ser acompanhada de perto pela oposição na Assembleia Legislativa, que retoma as sessões em novembro.
Próximos passos
A denúncia do Ministério Público segue na Justiça, que vai decidir se abre ação penal contra os investigados. Paralelamente, a Polícia Civil conduz o procedimento interno. O Jogo Político vai acompanhar os desdobramentos do caso.