
A advogada Nayana Pontes (PL), que disputou a eleição deste ano como candidata a vice-governadora da Paraíba, divulgou um vídeo nas redes sociais para explicar mensagens que provocaram reação após o segundo turno. Em uma delas, ao comentar a votação da chapa bolsonarista, ela escreveu: “Que pena para um estado miserável como o nosso”.
O que ela escreveu
As publicações circularam depois da vitória de Lula. Em uma mensagem direcionada a eleitores do presidente, Nayana afirmou que não os ajudaria nos próximos quatro anos: “Não me peça ajuda, não me peça emprego”. Ao falar da economia paraibana, ela também se referiu ao estado como “muito pobre”.
O termo “miserável” foi o que mais repercutiu, com críticas de usuários e de políticos que viram na frase uma ofensa aos paraibanos.
A explicação
No vídeo, Nayana disse que a crítica se referia aos indicadores socioeconômicos do estado, e não à população. “Apontar os problemas não é ofender o nosso povo”, afirmou. Ela acrescentou que quer “muito mais para a Paraíba” e que vai continuar cobrando avanços.
Para sustentar o argumento, citou dados do IBGE: segundo ela, a Paraíba tem o segundo menor PIB per capita do país, e a renda domiciliar mensal por pessoa no estado é de R$ 1.543, contra uma média nacional de R$ 2.316.
O contexto
A polêmica acontece numa semana de clima tenso depois da eleição, com relatos de ataques a eleitores e cobranças de autoridades por tolerância. Na Paraíba, Lula venceu nos 223 municípios no segundo turno, e o governador Lucas Ribeiro foi reeleito ainda no primeiro turno, o que deixou a oposição estadual em situação delicada para reorganizar o discurso rumo a 2028.
Nayana integrou a chapa da oposição ligada ao PL, partido que concentrou o voto bolsonarista no estado.
Leitura do Jogo Político
Falar de indicadores sociais é legítimo e faz parte do debate público, mas a escolha das palavras pesa, sobretudo para quem pretende continuar na vida política. A explicação tenta deslocar a discussão do adjetivo para os números. Para a oposição paraibana, que precisa reconquistar eleitores depois de uma derrota ampla, o episódio mostra o tamanho do desafio de comunicação pelos próximos anos.