
Uma semana depois de ser reeleito, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a falar publicamente neste domingo (1º) e usou a primeira aparição após o descanso da voz para mandar um recado direto: nenhum programa social será extinto e as promessas de campanha serão cumpridas.
“Tudo aquilo que foi prometido na campanha, pode ficar certo que vai acontecer”, afirmou o presidente em transmissão nas redes sociais.
Voz recuperada e agradecimento aos eleitores
Lula vinha poupando a voz desde o fim da campanha, depois da sequência de comícios do segundo turno. Na publicação deste domingo, ele disse que a voz melhorou e que logo quer voltar a percorrer o país.
“Com a voz recuperada, passando para agradecer a cada pessoa que votou”, escreveu o presidente. Ele também afirmou que pretende visitar cada estado para agradecer pessoalmente a mobilização do segundo turno, assim que a saúde permitir.
Resposta aos boatos sobre cortes
O presidente rebateu informações que circularam nos últimos dias sobre supostos cortes no Bolsa Família e no Gás do Povo e sobre um possível recuo do governo no fim da escala 6×1.
“Nenhum programa social será extinto nesse país”, disse. Segundo Lula, enquanto ele estava sem voz, “a mentira tomou conta deste país outra vez”, e a orientação aos eleitores é não acreditar nos “mentirosos de sempre”. O presidente acrescentou que o governo pode criar novos programas ou aperfeiçoar os que já existem.
O que está na agenda de 2027
Entre as medidas já em andamento estão a PEC que redefine as regras da segurança pública e um pacote voltado aos microempreendedores individuais, com renegociação de dívidas tributárias e aumento do teto de faturamento do MEI. O Pé-de-Meia Universitário e o Desenrola 3.0 também aparecem entre os programas planejados.
Como boa parte dessas promessas está prevista para o próximo ano, a execução vai depender de ajustes no Orçamento de 2027, por causa do impacto fiscal das novas despesas.
Leitura do Jogo Político
A fala tem dois públicos. Para o eleitorado que garantiu a reeleição, o presidente reafirma compromissos e tenta encerrar a onda de boatos que se espalhou durante sua ausência. Para o mercado e o Congresso, a mensagem antecipa a principal discussão do fim de ano: como acomodar as promessas de campanha no Orçamento de 2027 sem comprometer as metas fiscais.
Com a votação da peça orçamentária ainda pela frente e um Congresso que tomará posse mais à direita em fevereiro, a capacidade de articulação do governo nas próximas semanas deve indicar o ritmo em que essas promessas sairão do papel.