Advogado de Lulinha confirma viagem a Portugal com “Careca do INSS” para conhecer fábrica de cannabis medicinal
O advogado Marco Aurélio de Carvalho, representante de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula, confirmou uma viagem realizada em 2024 a Portugal. Na ocasião, Lulinha esteve acompanhado pelo lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”.
O principal objetivo da viagem, segundo o advogado, foi a visita a uma fábrica especializada na produção de plantas de cannabis para uso medicinal. As despesas com passagens aéreas e hospedagem em Portugal teriam sido integralmente custeadas por Antunes, que é alvo de investigações da Polícia Federal e da CPI do INSS.
As declarações foram dadas em entrevista à Globonews e confirmadas posteriormente por telefone. Embora Lulinha já tivesse mencionado a viagem a pessoas próximas, esta marca a primeira confirmação oficial por parte de sua defesa. Conforme informações divulgadas pela defesa, os esclarecimentos sobre o caso já foram apresentados ao Supremo Tribunal Federal (STF).
Lulinha e “Careca do INSS”: a apresentação e o objetivo da viagem
Marco Aurélio de Carvalho explicou que a apresentação de Antônio Carlos Camilo Antunes a Lulinha ocorreu por intermédio de uma amiga em comum, a empresária Roberta Luchsinger. Antunes foi introduzido como um empreendedor de sucesso no setor farmacêutico e na produção legalizada da cannabis para extração de substâncias como o canabidiol.
O advogado enfatizou que a visita à fábrica de cannabis em Portugal **não resultou em qualquer tipo de parceria comercial**. Carvalho assegurou que o “Careca do INSS” **”nunca depositou um real”** nas contas de Lulinha, reforçando a inexistência de qualquer vínculo financeiro entre eles.
Investigações e vazamentos “seletivos”
Guilherme Suguimori, outro advogado da defesa de Lulinha, corroborou os esclarecimentos feitos ao STF, o que justificaria a comunicação pública sobre o assunto. Ele criticou os **”vazamentos seletivos”** de dados sigilosos e de partes do inquérito, considerando a situação uma “exposição terrível” para Fábio Luís.
Suguimori afirmou que a decisão de tornar a informação pública foi tomada “em respeito à opinião pública” e para esclarecer questões ligadas ao inquérito, evitando questionamentos infundados. A defesa busca, com isso, direcionar o foco para os pontos que sempre pretenderam esclarecer ao STF.
Indícios de investimento em Portugal e o contexto das investigações
Documentos apreendidos pela Polícia Federal no ano passado indicam a intenção do “Careca do INSS” de adquirir um galpão em Portugal com o objetivo de investir na produção de cannabis. Essa instalação seria localizada na mesma região que Lulinha e Antunes teriam visitado em novembro de 2024. É importante notar que a maconha é descriminalizada em Portugal.
Recentemente, o advogado Marco Aurélio de Carvalho defendeu o arquivamento das investigações sobre Lulinha, alegando a “absoluta ausência de fatos a serem investigados”. Um pedido de prisão preventiva de Lulinha chegou a ser feito ao ministro André Mendonça do STF, mas não foi acatado.