Cármen Lúcia: "Deus me livre de ser julgada por juiz desonesto", defende independência e ética no Judiciário

Cármen Lúcia: “Deus me livre de ser julgada por juiz desonesto”, defende independência e ética no Judiciário

Resumo

Cármen Lúcia defende um Judiciário independente e ético, rejeitando juízes bajuladores ou desonestos

A presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Cármen Lúcia, expressou veementemente a necessidade de que todos os cidadãos, incluindo ela própria, sejam julgados por magistrados que ajam com **independência, imparcialidade, honestidade e ética**. A declaração reforça a importância da integridade no sistema de justiça brasileiro.

A ministra ressaltou que a confiança na Justiça depende diretamente da conduta de seus membros. Ela enfatizou que não deseja ser submetida a julgamentos por parte de profissionais que possam ser influenciados, dependentes ou que tenham chegado a seus cargos por meio de práticas questionáveis, sem a devida autonomia para decidir.

A fala de Cármen Lúcia ocorreu durante a aula magna “Sem mulheres não há democracia: representação feminina e enfrentamento da violência política de gênero”, realizada no Centro Universitário de Brasília (UniCeub). O evento serviu de palco para a defesa de uma maior participação feminina nos espaços de poder, inclusive no Supremo Tribunal Federal (STF).

A importância da ética e da igualdade na democracia

Cármen Lúcia argumentou que a **ética da igualdade** é fundamental para a construção de um consenso político verdadeiramente democrático. Segundo ela, uma democracia que exclui mais da metade de sua população não pode ser considerada efetiva. A participação de todos, homens e mulheres, é vista como essencial para a consolidação de um sistema justo e representativo.

Código de Ética do STF e desafios atuais

A ministra é a relatora do **Código de Ética do STF**, um projeto que tem enfrentado resistência interna na Corte. A iniciativa ganhou destaque em meio a crises envolvendo investigações e a necessidade de reafirmar os padrões de conduta esperados dos ministros. Um caso que trouxe à tona a discussão foi o envolvimento do Banco Master em investigações, com menções a ministros e contratos de escritórios de advocacia ligados a cônjuges de magistrados.

Afastamento de Toffoli e contrato com escritório de Alexandre de Moraes

O ministro Dias Toffoli, por exemplo, deixou a relatoria de um inquérito após a Polícia Federal encontrar menções a ele no celular do dono do Banco Master. Paralelamente, o escritório de advocacia da esposa do ministro Alexandre de Moraes firmou um contrato considerável com a mesma instituição financeira, levantando questionamentos sobre possíveis conflitos de interesse.

Ameaça de bomba e resiliência da ministra

Em um relato chocante, Cármen Lúcia revelou que, pouco antes de sua palestra no UniCeub, foi informada sobre uma **ameaça de bomba** direcionada a ela. A ministra demonstrou firmeza diante da situação, afirmando que não se deixará intimidar. Ela relatou que, apesar da notícia, estava presente e viva, mostrando sua determinação em continuar seu trabalho, inclusive no combate à violência política de gênero.

“Não morro de jeito nenhum. Faço um parêntese: agora de manhã, vindo para cá, me comunicaram que mandaram uma bomba para me matar”, disse Cármen Lúcia, acrescentando que, mesmo diante de tais ameaças, continuará firme em suas convicções e em seu trabalho pela justiça e pela democracia.

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