Deputada Gorete Pereira é alvo de investigação da PF por suposta propina a ex-presidente do INSS ligado a fraudes

Deputada Gorete Pereira é alvo de investigação da PF por suposta propina a ex-presidente do INSS ligado a fraudes

Resumo

Deputada Gorete Pereira investigada por suposta propina e ligação com fraudes no INSS

A deputada federal Gorete Pereira (MDB-CE) tornou-se alvo de um desdobramento da Operação Indébito, deflagrada pela Polícia Federal. A investigação apura um esquema de fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) que teria lesado aposentados e pensionistas, e envolve o suposto pagamento de propina a autoridades do órgão, incluindo o ex-presidente Alessandro Stefanutto.

As ordens judiciais, autorizadas pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), miram a atuação da parlamentar como articuladora política em um esquema que visava obter vantagens ilícitas. A investigação, conduzida em conjunto pela Polícia Federal e pela Controladoria-Geral da União (CGU), aponta para contatos diretos de Gorete Pereira com servidores do INSS para viabilizar o credenciamento de entidades associativas.

Segundo o despacho do ministro André Mendonça, há indícios de que a deputada recebia quantias significativas em dinheiro para facilitar o credenciamento e a ativação de associações de aposentados com as quais tinha relação. Essa informação foi divulgada pela Gazeta do Povo, que teve acesso ao documento. A reportagem procurou a deputada e aguarda manifestação.

Operação Indébito desvenda esquema de fraudes previdenciárias

A Operação Indébito cumpriu mandados de prisão, busca e apreensão e monitoramento com tornozeleira eletrônica no Ceará e no Distrito Federal. O foco principal é esclarecer crimes como inserção de dados falsos em sistemas oficiais, constituição de organização criminosa, estelionato previdenciário e ocultação de patrimônio. A Polícia Federal informou que apreendeu carros de luxo, dinheiro e equipamentos eletrônicos durante as diligências.

O ex-presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, já havia sido demitido pelo presidente Lula após a primeira fase da operação “Sem Desconto” e preso sete meses depois. Na época, sua defesa classificou a prisão como ilegal. Agora, a investigação aponta para uma suposta ligação entre Stefanutto e a deputada Gorete Pereira.

Pagamentos de propina e R$ 4 milhões em suspeitas

O despacho do ministro André Mendonça detalha que Maria Gorete Pereira “frequentemente contatava servidores do INSS, dentre eles Stefanutto, para, mediante pagamento de propina, viabilizar o credenciamento e ativação de entidades associativas de aposentados com as quais tinha relação”. A investigação aponta que, entre abril de 2024 e janeiro de 2025, cerca de R$ 4 milhões foram repassados a Stefanutto a partir de contas ligadas à advogada Cecília Rodrigues Mota, ex-presidente de associações de aposentados e pensionistas.

Cecília Rodrigues Mota e o empresário Natjo de Lima Pinheiro também foram presos. Segundo a investigação, Cecília teve atuação central na operacionalização de filiações fraudulentas e descontos indevidos, enquanto Natjo é apontado como um dos líderes da organização, responsável pela coordenação financeira e divisão de valores. Ele teria utilizado empresas de fachada para movimentar recursos ilícitos.

Servidor da Dataprev também é investigado

A investigação também alcançou Alan Santos, diretor de Relacionamento e Negócios da Dataprev, suspeito de facilitar autorizações para transações envolvendo beneficiários do INSS. Segundo fontes ligadas ao caso, Santos teria se reunido diversas vezes com Antônio Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, considerado o principal operador do esquema. O ministro André Mendonça destacou que Alan Santos também teria tido contato com Stefanutto para agilizar a ativação de entidades no esquema criminoso.

Em nota, a defesa de Alessandro Stefanutto negou as acusações, afirmando que os contatos com a deputada Gorete Pereira ocorreram por iniciativa dela e tratavam de temas institucionais, sem interferência em processos de fiscalização. A defesa também ressaltou que o acordo com a entidade CENAP.ASA foi rescindido antes da operação. A deputada Gorete Pereira, por sua vez, negou a prática de qualquer ato ilícito, afirmando que as informações divulgadas não refletem a realidade dos fatos e que confia no devido processo legal.

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